Da Redação

Com a retomada dos trabalhos legislativos após o recesso, o Congresso Nacional entra em 2026 em ritmo diferente. O calendário eleitoral impõe cautela a deputados e senadores e tende a reduzir o ímpeto de confrontos diretos com o Palácio do Planalto, especialmente quando o assunto são os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na pauta acumulada estão cerca de 70 vetos presidenciais que ainda aguardam análise, incluindo temas politicamente sensíveis. Entre eles está o veto integral ao projeto que alterava a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. Apesar da pressão de setores do Legislativo para derrubar algumas dessas decisões, líderes avaliam que o desgaste político pode pesar em um ano de campanha.

A leitura predominante em Brasília é que o período eleitoral transforma o Congresso em um espaço de cálculo estratégico. Muitos parlamentares priorizam agendas regionais e alianças locais, evitando votações que possam gerar repercussão negativa junto ao eleitorado ou associá-los a embates institucionais de alto risco.

Do lado do governo, a expectativa é que esse cenário funcione como um freio natural a uma ofensiva mais dura do Legislativo. A equipe de Lula aposta que a proximidade das eleições dificulte a formação de maiorias qualificadas para a derrubada de vetos, principalmente em temas ligados à democracia e à segurança jurídica.

Embora o clima de tensão entre Planalto e Congresso permaneça latente, a tendência é de um primeiro semestre marcado por negociações pontuais e menor produção legislativa. Em 2026, o jogo político passa a ser guiado menos pelo confronto e mais pela sobrevivência eleitoral.