Da Redação

As autoridades venezuelanas anunciaram nesta quinta-feira (8) o início da libertação de presos detidos por motivos políticos, em uma medida classificada oficialmente como um ato unilateral voltado à pacificação do país. A decisão foi comunicada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, durante pronunciamento no Palácio Legislativo, em Caracas.

Segundo Rodríguez, a soltura envolve um número expressivo de detentos, incluindo cidadãos estrangeiros e figuras conhecidas da oposição ao chavismo. Entre os nomes confirmados estão a ativista Rocío San Miguel, presa desde 2024, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, que havia sido detido após questionar o resultado das últimas eleições presidenciais.

O anúncio ocorre em um cenário político atípico, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos no início do mês. Desde então, o país está sob comando interino da vice-presidente Delcy Rodríguez, que teria solicitado apoio internacional para reduzir tensões internas.

Embora o chefe do Parlamento tenha afirmado que a iniciativa não foi fruto de negociações formais, ele reconheceu a atuação indireta de lideranças estrangeiras. Foram citados o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e representantes do Catar, que teriam participado de esforços diplomáticos voltados à estabilidade regional  .

Autoridades espanholas confirmaram que ao menos cinco cidadãos da Espanha estão entre os libertados e devem retornar ao país nos próximos dias. O chanceler José Manuel Albares afirmou que acompanha o caso de perto e classificou a medida como um avanço relevante no campo humanitário.

Dados da ONG Foro Penal indicam que a Venezuela ainda mantém centenas de presos por razões políticas, muitos deles militares. A entidade estima que, apesar das liberações anunciadas, cerca de 800 pessoas continuem detidas sob esse tipo de acusação.

O gesto do governo interino ocorre um dia após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarar que Washington trabalha em um plano gradual para a transição política venezuelana, que inclui estabilização institucional, anistias e reconstrução da sociedade civil.

Até o momento, não foi divulgado um cronograma oficial para novas libertações, nem a lista completa de beneficiados, mas o governo afirma que o processo já está em andamento e será conduzido caso a caso