VICTOR LACOMBE E ISABELLA MENON
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste sábado (3) que vai governar a Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro e comemorou a ação militar, chamada de “Operação Determinação Absoluta”, realizada contra o país sul-americano.
“Vamos governar a Venezuela até que haja uma transição adequada e justa”, disse Trump em pronunciamento à nação. “Estávamos preparados para atacar novamente, um ataque muito maior, mas isso provavelmente não será necessário”, afirmou o republicano. Segundo ele, o petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e “voltará a fluir” com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
Trump disse que não permitirá que ninguém próximo a Maduro continue no poder. “Teremos um grupo de pessoas administrando a Venezuela, incluindo as pessoas atrás de mim”, afirmou, em referência aos membros de seu governo.
O republicano expressou dúvidas sobre a possibilidade de que a líder opositora venezuelana María Corina Machado assuma o poder. “Seria muito difícil para ela, ela não tem o apoio ou respeito do povo. Ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito.”
Em nota horas depois dos ataques, María Corina comemorou a captura de Maduro e escreveu: “Venezuelanos, chegou a hora da liberdade”. “Nicolás Maduro enfrenta hoje a justiça internacional por seus crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos. Diante da sua negativa de aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer valer a lei.”
Trump disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle americano do país. Ao mesmo tempo, afirmou estar negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos.
Quando um jornalista pediu que Trump explicasse por que governar um país sul-americano seria colocar “a América em primeiro lugar”, seu mote de campanha, o presidente respondeu que Washington precisa “se cercar de bons vizinhos e de recursos energéticos”.
“Ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso hemisfério”, disse Trump, citando a Doutrina Monroe, que determina que Washington domine a América Latina como poder hegemônico da região. “Essas são as leis de ferro que sempre determinaram o poder no mundo, e presidentes anteriores podem não ter tido coragem de proteger nossos cidadãos, mas eu sempre o farei.”
“O que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles, e acontecerá, se não forem justos com seu povo”, disse Trump, em referência genérica sobre os adversários dos EUA. “O ditador e terrorista Maduro se foi, e o povo da Venezuela está livre, e os EUA são hoje um país mais seguro e mais orgulhoso.”
“Isso que fizemos hoje tornará o povo da Venezuela rico, independente e seguro”, afirmou o presidente americano. “Eles não sofrerão mais. Nós queremos paz, liberdade e justiça para as pessoas incríveis da Venezuela e isso inclui muitos dos venezuelanos que vivem nos Estados Unidos e querem voltar para seus países.”
“Nós estamos lá. Vamos ficar pelo tempo que for adequado para uma transição. Vamos governar neste tempo, vamos ter empresas americanas que vão entrar, vão injetar bilhões de dólares, vão consertar a péssima infraestrutura”, prosseguiu o republicano.
“Tratou-se de um ataque como não era visto no mundo desde a Segunda Guerra Mundial”, disse Trump, comparando a ação com outras operações ordenadas por ele, como os bombardeios contra instalações nucleares do Irã. “Todas as capacidades militares da Venezuela foram inutilizadas. Maduro jamais será capaz de ameaçar mais ninguém.”
Trump disse que as forças americanas cortaram a energia de Caracas e que nenhum militar americano foi morto. “Nenhuma nação seria capaz de realizar o que os Estados Unidos conseguiram realizar em um período tão curto de tempo”, afirmou.
Após a fala de Trump, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, disse: “bem-vindos a 2026. A América está de volta”, exaltando o presidente e dizendo que Maduro teve alternativas para evitar ações militares, mas que as recusou.
O argumento também foi usado pelo secretário de Estado, Marco Rubio. “Pessoas como Maduro acham que podem jogar jogos e que nada vai acontecer. Agora, temos um presidente que não joga jogos. Quando ele diz que vai fazer algo, ele faz. É um presidente de ação. Então, se você não sabia, agora sabe.”
O chefe do Estado-maior dos EUA, o general Dan Caine, disse que a operação contou com 150 aviões militares e que ocorreu de forma “precisa e discreta”.
Após a fala de Rubio, Trump voltou para responder perguntas a jornalistas e foi questionado sobre o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que condenou a ação na Venezuela. Trump foi lembrado que havia dito em dezembro que o colombiano deveria ficar esperto. Agora, ele voltou a xingar Petro, acusando-o de produzir cocaína. “Ele está fazendo cocaína e mandando para os Estados Unidos. Ele tem que mesmo que ficar esperto”, disse Trump, que usou uma expressão chula em inglês (watch his ass).
Em meio a declaração sobre a Venezuela, Trump começou a falar sobre criminalidade em Washington, parabenizando as Forças Armadas e a Guarda Nacional. Ele disse que não houve nenhum homicídio na capital nos últimos sete meses, um dado questionado por especialistas.
A Guarda Nacional está presente em Washington desde agosto de 2025, quando o presidente declarou emergência na cidade. O decreto permitiu mobilizar soldados para apoiar as forças locais, proteger prédios federais e reforçar o patrulhamento das ruas.
“Não temos mais crimes em Washington DC, não temos mais mortes. Tivemos um ataque terrorista há umas semanas, uma diferente ameaça. Não tivemos mais mortos, costumávamos ter dois por semana em Washington. Não temos isso mais. Os restaurantes estão abertos, todos estão felizes”, disse Trump durante o pronunciamento.
Trump fez pronunciamento à nação após ordenar um ataque de larga escala contra a Venezuela e capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Segundo o republicano, os dois estão sob custódia em um navio militar americano no Caribe e serão enviados para Nova York, onde responderão à Justiça americana por crimes como narcoterrorismo e tráfico de drogas.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou em um vídeo divulgado na manhã deste sábado que o país vai resistir à presença de tropas estrangeiras. A vice de Maduro ainda reiterou, momentos depois, que manterá os planos de defesa do ditador. Não está claro se tropas americanas invadiram a Venezuela por terra.






