Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só decidirá sobre o projeto que altera as punições aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro quando o texto chegar oficialmente ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao Portal Uai, Lula disse que a escolha será pessoal e inevitável.

“Quando esse projeto chegar à minha mesa, eu vou decidir. Eu e Deus. Vou fazer o que achar correto, porque ele precisa assumir a responsabilidade pela tentativa de golpear a democracia”, declarou. “Agora não adianta reclamar.”

O chamado PL da Dosimetria foi aprovado pelos deputados na madrugada de quarta-feira (10). A proposta reduz penas, mas não concede anistia total aos condenados — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto segue agora para análise do Senado.

“Poderia estar disputando eleição”

Lula criticou o comportamento de Bolsonaro após a derrota eleitoral. Ele comparou a postura do ex-presidente com a de outros partidos que reconheceram resultados adversos no passado.

“Se tivesse aceitado a derrota como eu aceitei três vezes, como o PSDB aceitou três vezes, se tivesse respeito institucional, não estaria preso hoje. Poderia, inclusive, ser candidato agora. Mas tentou cortar caminho”, afirmou.

Segundo Lula, caberá ao Congresso definir os rumos do projeto antes que ele tenha de tomar uma posição final. Dentro do governo, auxiliares do presidente consideram provável que ele vete integralmente o PL.

Disputa de 2026 e críticas a adversários

O presidente também comentou cenários para 2026, ironizando a quantidade de nomes lançados pela oposição.

“Todo dia inventam um candidato. Caiado, Tarcísio, Zema, Ratinho Jr., Eduardo, Michelle… Quando aparece nome demais, é porque não há um nome forte. Eles sabem o que vai acontecer: eles vão perder em 2026”, disse.

Lula ainda voltou a criticar o governador Romeu Zema (Novo) e contou que continua tentando convencer Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a disputar o governo de Minas.

Segundo ele, apesar de Pacheco ter sinalizado que não pretende concorrer — e de ter sido cogitado para o STF antes da nomeação de Jorge Messias — a articulação não terminou.

“Eu disse: Pacheco, me ajuda a ganhar as eleições. Você pode ser governador do segundo maior estado do país. Ele relutou, mas se engana quem acha que eu desisti.”