SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Cinco candidatos disputam a Presidência de Honduras neste domingo (30) em meio a um cenário de forte polarização e denúncias antecipadas de fraude. A eleição, em turno único, definirá quem sucederá a presidente de esquerda Xiomara Castro.
As pesquisas apontam empate técnico entre a ex-ministra da Defesa Rixi Moncada, do governista Liberdade e Refundação; o ex-prefeito de Tegucigalpa Nasry Asfura, do conservador Partido Nacional; e o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do centrista Partido Liberal.
Rixi Moncada – Candidata governista do Partido Liberdade e Refundação
A professora e advogada foi ministra da Defesa em 2024 e 2025. Antes disso, comandou os ministérios das Finanças e do Trabalho e Segurança Social, além de ter integrado o Conselho Nacional Eleitoral.
Moncada promete aprofundar as reformas iniciadas por Xiomara Castro. “A presidente deixa um grande legado que reconhecemos e exaltamos: reduziu mais de 20% dos homicídios. Isso incomoda os narcotraficantes e os golpistas, que veem uma mulher deixar esse legado”, afirma.
Para ela, a eleição opõe a oligarquia e a democracia socialista. Seu plano de governo é centrado na chamada democratização da economia, que prevê uma reforma fiscal progressiva para corrigir desigualdades históricas.
“Não posso colaborar com Moncada e os comunistas”, afirmou Trump, que foi ainda mais longe ao questionar se Nicolás Maduro e “seus narcoterroristas vão tomar o controle de outro país, como fizeram com Cuba, Nicarágua e Venezuela”.
Nasry Asfura – Partido Nacional de Honduras
Empresário do setor da construção civil e de origem palestina, Nasry Asfura, conhecido como Tito, foi prefeito de Tegucigalpa de 2014 a 2022 e também atuou como deputado.
O partido ao qual pertence manteve durante anos uma estreita parceria com Washington sob o comando do ex-presidente Juan Orlando Hernández (2014-2022). Hernández foi preso pouco depois de deixar o cargo para cumprir pena de 45 anos nos EUA, condenado por tráfico de drogas e porte ilegal de armas. No entanto, na sexta-feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que vai indultá-lo.
“Cada um responde por seus atos”, afirma Asfura, que centrou sua campanha na promessa de “salvar a democracia” dos “comunistas”.
Asfura também enfrentou investigações: foi indiciado em 2020 por desvio e lavagem de dinheiro, acusações posteriormente rejeitadas. Depois, foi citado nos Pandora Papers por possuir empresas offshore no Panamá para supostamente evadir impostos.
O presidente dos EUA declarou que Asfura é o “único verdadeiro amigo da liberdade” quatro dias antes das eleições. “Tito e eu podemos trabalhar juntos para lutar contra os narcocomunistas e oferecer a ajuda necessária ao povo de Honduras”, disse Trump.
Salvador Nasralla –Candidato do Partido Liberal
Salvador Nasralla é engenheiro civil industrial, popular apresentador de televisão e foi candidato presidencial três vezes com partidos diferentes. Cofundou o Partido Anticorrupção e fundou o Partido Salvador, mas hoje disputa a eleição pelo Partido Liberal, que por mais de cem anos alternou no poder com o Partido Nacional.
No período final da campanha, interrompeu seus atos e viajou a Washington para participar da audiência “Democracia em Perigo: A Luta por Eleições Limpas em Honduras”. Ali, denunciou — sem apresentar provas — uma suposta intenção do partido governista de cometer fraude na eleição.
Elogia o presidente da Argentina, Javier Milei, pelo manejo da economia, e o de El Salvador, Nayib Bukele, em sua política de segurança.
Nasralla já havia feito uma aliança com Xiomara Castro e ocupou um alto cargo em seu governo após desistir da candidatura presidencial e aderir à coalizão em 2021, movimento que lhe rendeu críticas do presidente dos EUA.
“Ele finge ser anticomunista apenas para dividir o voto de Asfura”, escreveu Trump no Truth Social. “Nasralla não é um aliado confiável para a liberdade, e não posso confiar nele.”
Em sua conta no X, Nasralla atribuiu a crítica a uma “desinformação mal-intencionada” de seus rivais políticos e afirmou a Trump que, caso vença, terá nele “um aliado”.
Nelson Ávila –Partido de Inovação e Unidade Social-Democrata
Foi assessor presidencial de 2006 a 2009 e concorreu como pré-candidato presidencial pelo Partido Libre nas eleições de 2017 e 2021. Economista e contador público, possui mestrado, doutorado e pós-doutorado em economia, planejamento e desenvolvimento, e atuou em organizações internacionais como a ONU, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (Cabei).
Afirma viver dos negócios e investimentos que realizou ao longo da carreira, os quais, segundo ele, lhe garantem uma vida confortável. Seu slogan de campanha, “vota diferente por um país diferente”, faz referência direta ao bipartidarismo que dominou Honduras por mais de um século –marcado pelo Partido Nacional e pelo Partido Liberal– e também ao ciclo atual, sob o governo do Libre.
Mario Enrique Rivera Callejas –Partido Democrata Cristão
O apresentador de televisão, conhecido como “Chano”, é proprietário de um canal e também publicitário e empresário. Estruturou sua campanha em torno do slogan “unir-se aos gringos”. Ele defende transformar Honduras em um Estado Livre Associado aos Estados Unidos, nos moldes de Porto Rico, para que o país possa viver o “sonho americano”.
Defende ainda “aplicar a motosserra de Milei” para reduzir o tamanho do Estado e torná-lo mais eficiente. Na área de segurança pública, propõe políticas linha dura contra as gangues, a criação de uma prisão de segurança máxima inspirada no Cecot salvadorenho e o ensino da Bíblia nas escolas.
Na última semana antes das eleições, anunciou seu apoio à candidatura de Salvador Nasralla.



