SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) instaurou uma investigação para apurar as circunstâncias das mortes de três pessoas durante ação da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil, na última terça-feira (26), na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, zona norte do Rio.
Investigação iniciou após denúncia de familiares de vendedor de queijo, que foi morto. O homem, identificado como Bruno Paixão, de 36 anos, chegou a ser considerado desaparecido por algumas horas, mas foi posteriormente localizado e reconhecido.
MPRJ requisitou todos os registros das câmeras corporais dos policiais envolvidos na operação. No despacho, o Ministério Público também pede acesso aos laudos do local, de necropsia, boletins de atendimento médico, relatórios, termos de declaração e demais documentos já produzidos no inquérito policial instaurado.
Também foram determinadas as oitivas de testemunhas e familiares das três vítimas. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a operação no Complexo da Maré foi deflagrada após a CORE receber informações de inteligência indicando que uma liderança da facção que atua na comunidade estaria se preparando para invadir outra região.
Família diz que vendedor de queijo morto era inocente
Parentes e amigos protestarem após a confirmação da morte de Bruno. Eles negam que ele tinha envolvimento com o tráfico. A versão de quem conhecia o homem é de que ele estava a caminho do trabalho, com mercadoria na kombi onde foi morto. “Que bandido seria esse que está em uma kombi cheia de mercadoria? Só queremos justiça, meu tio Bruno era trabalhador, ajudava a mãe com cesta básica. Agora cadê o Bruno pra ajudar?”, lamentou a sobrinha Ana Beatriz, em entrevista ao RJTV, da TV Globo.
Grupo protestou na Linha Amarela e fechou a via por alguns minutos. Com cartazes que diziam “mataram um morador”, eles pediram que a morte de Bruno seja investigada.
A Polícia Civil contesta a versão da família e diz que os três homens que morreram na ação eram do Comando Vermelho. Segundo a corporação, Bruno e os outros dois homens, que não tiveram o nome divulgado, eram integrantes da facção e atuavam como seguranças dos chefes do tráfico.
Polícia afirma que homem encontrado baleado perto da Kombi teria usado o veículo para tentar fugir. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a corporação garante que o queijeiro “não era inocente”. “As imagens mostram sua participação ativa no tráfico”, diz publicação da polícia. Nas imagens divulgadas não é possível que a pessoa apontada pela corporação é Bruno.
Operação terminou com três mortos e aluno baleado em escola
Aluno foi atingido na perna dentro da Escola Municipal Hélio Smidt, que fica ao lado do 22°BPM (Maré). O estudante do 6º ano foi ferido enquanto estava no pátio da unidade de ensino na manhã desta quarta-feira. Ele foi atendido pela equipe da escola e levado à Clínica da Família da Maré, onde recebeu um primeiro atendimento e o projétil foi removido.
Uma ambulância foi acionada para transferir o estudante para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha. O aluno não corre risco de vida e o estado de saúde dele é estável, segundo o secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz.
Um disparo também atingiu uma parede de uma das salas de aula da UFRJ. Em nota, a universidade afirmou que não houve feridos.
Tiros foram registrados na altura da comunidade Vila do João. Linha Amarela chegou a ser interditada por algumas horas.
A operação terminou no início da tarde do dia 26. Os agentes também tentavam prender o chefe do tráfico na Vila do João. Segundo a Polícia Civil, uma pessoa foi presa e dois fuzis e uma pistola apreendidos.
Alunos da UFRJ registraram o momento em que um helicóptero posa no campus do Fundão. A Fundação Oswaldo Cruz acionou o Plano de Contingência após elevar o alerta para nível 3 de segurança. O comunicado interno orientava para que ninguém saísse da unidade.



