RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Brutalmente assassinadas nesta sexta-feira (28), dentro do Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca) do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, a doutora em Letras Allane de Souza Pedrotti Mattos e a psicóloga escolar Layse Costa Pinheiro eram reconhecidas pelo talento, dedicação e pelo impacto positivo na vida de estudantes e colegas. Após cometer o crime, o autor dos disparos se matou.
Referência na comunidade acadêmica, Allane, era coordenadora da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino da instituição e atuava com assessoria pedagógica e acadêmica em todos os oito campus do Cefet no estado.
Formada em Pedagogia pela UFRJ e doutora em Letras pela PUC-Rio, passou ainda por universidades como UFF e Universidade de Copenhagen. Nas redes sociais, se apresentava como “mãe e cria do Morro do Pinto”, comunidade na região central do Rio.
Fora da área acadêmica, Allane se destacava também na música, como cantora, compositora, pandeirista. Ela fazia parte do Grupo Quilombo Urbano, que surgiu no Renascença Clube, no Andaraí, ponto tradicional de rodas de samba do Rio. O clube publicou uma nota de pesar:
“O Renascença Clube lamenta profundamente o falecimento de Allane, cantora que encantava a Resenha dos Amigos, às quartas-feiras. A notícia nos entristece e deixa um vazio entre amigos, frequentadores e toda a nossa comunidade. Manifestamos nossa solidariedade à família, aos amigos e a todos que conviviam com Allane, cuja voz e alegria deixam marcas no coração do clube. Que sua memória seja lembrada com respeito, afeto e gratidão.”
Layse Costa Pinheiro, psicóloga escolar da instituição desde 2017, era formada pela UERJ, pós-graduada em Gestão de Pessoas. A servidora foi a primeira colocada no concurso prestado em 2014 para o cargo de psicóloga. Também foi a primeira colocada na seleção para o Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da UERJ, em 2016. Layse atuava com adolescentes e adultos, além de ministrar palestras e consultorias.
Em seu perfil nas redes sociais, ela se descrevia como “feminista, antirracista e na luta por todas as minorias”, refletindo seu engajamento social e compromisso com causas coletivas. Também se dizia “apaixonada por música e dança de salão”.
O impacto da tragédia foi sentido pela comunidade acadêmica e ex-alunos. A médica Ana Bárbara Jannuzzi, que teve Allane como professora, publicou nas redes sociais: “Se hoje pude chegar onde estou, foi porque quando tive dificuldades ela estava lá para ajudar. Meu coração está despedaçado com esta notícia. Duas mulheres cheias de vida, de sonhos, de histórias, que acordaram de manhã, beijaram suas famílias. Duas mulheres interrompidas.”
O autor do ataque, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, de 47 anos, estava afastado do Cefet há cerca de 60 dias por problemas psiquiátricos. Segundo as investigações, ele desejava retornar ao setor onde atuava Allane. O servidor havia sido coordenador da Coordenadoria Pedagógica do Departamento de Ensino Médio e Técnico da instituição entre dezembro de 2019 e junho de 2020.
As atividades acadêmicas da unidade Maracanã do Cefet estão suspensas até o dia 5 de dezembro em razão do luto oficial decretado pela direção-geral da instituição. Durante este período, as atividades administrativas ocorrerão de forma remota.
Diversas instituições divulgaram notas de pesar pela tragédia. A Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) e o Conif (Conselho de Dirigentes da Rede Federal) manifestaram solidariedade à comunidade acadêmica do Cefet-RJ.
“Recebemos a notícia com consternação, compartilhando a dor que atinge familiares, colegas, estudantes e todas as pessoas impactadas por essa violência inaceitável”, afirma a nota do Conif.
Os corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal do Centro do Rio, onde passaram por perícia. O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios.



