LIMA, PERU E NO RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – A segunda final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras nesta década é só mais um capítulo de um contexto maior. A rivalidade entre os dois times extrapola uma mera rixa Rio-São Paulo e ganha contornos nacionais, no palco continental, com a bola rolando a partir das 18h (de Brasília).
Não é segredo. São os dois principais times em termos de receitas: ambos na casa do bilhão.
A partir disso, conseguem montar times competitivos. E assim, estabelecem um ciclo consistente de briga por títulos desde 2016, com raros hiatos de um ou outro mais distante do ponto mais alto do pódio.
O futebol brasileiro já teve fortes rivalidades interestaduais. Santos x Botafogo na era de Pelé e Garrincha, Flamengo x Atlético-MG no início dos anos 1980 e Grêmio x Palmeiras na década seguinte. Mas o Flamengo x Palmeiras atual tem projeção de se estender por bem mais tempo.
QUAL O MOTIVO?
A reestruturação financeira dos dois, praticamente concomitando no início da década de 2010 ainda que tenha sido de formas diferentes é o que dá robustez aos passos rumo aos troféus.
Se um lado já produziu e vendeu muito bem Paquetá, Vini Jr e até Reinier, o outro tornou a base ainda mais rentável com Endrick, Estêvão, Luís Guilherme e Vitor Reis. Abel Ferreira se notabilizou por saber trabalhar com esses talentos e aproveitou para destacar como toda essa organização faz diferença na coletiva de imprensa que deu nesta sexta-feira (28).
“Os dois se organizaram internamente, têm processos muito bem definidos, grandes jogadores, gestões profissionais e são capazes de comprar e vender jogadores. Equipes com saúde financeira também. Ao longo dos anos, eu peguei o Palmeiras numa fase boa, mas o Flamengo também passou por um período conturbado. Só melhorou quando organizou, quando foi profissional. Temos que profissionalizar, gente competente em todas as estruturas”, falou o comandante palmeirense.
“O Palmeiras tem uma visão, o Flamengo tem outra, mas no final o objetivo das duas é o mesmo. Filosofias diferentes, mas estruturas profissionalizadas e gente competente. Só assim é possível que equipes possam estar no nível dos melhores clubes europeus, pela sua organização”, completou.
No âmbito doméstico, o Palmeiras passou a ter o Flamengo como principal concorrente pelos títulos nacionais pelo derretimento dos rivais paulistas. O Corinthians vive uma crise financeira e administrativa que deixa o clube mais perto de escândalos e transfer bans do que de troféus importantes. O São Paulo deixou de ser a potência do início dos anos 2000, também está apertado financeiramente e tem como memória mais recente o 6 a 0 que levou do Fluminense. Retrato de anos de definhamento. O Santos flerta seriamente com o rebaixamento, apesar da volta de Neymar.
No Rio, por mais que o atual campeão da Libertadores seja o Botafogo e o anterior, o Fluminense, os dois não conseguem se equiparar economicamente ao Flamengo. Daí, a disparidade técnica que eventualmente é compensada em campo por algum enredo específico de cada clássico.
Ao longo dessa história recente, vários episódios dentro e fora de campo ajudam a reforçar a grandeza do confronto deste sábado, em Lima.
Os dirigentes colaboraram para isso. Sobretudo porque de um lado está Bap e do outro Leila Pereira. Ninguém leva desaforo para casa. Os dois são bons frasistas e não se abstêm de rebater ou fazer provocações, quando acham pertinente. Leila este ano já cunhou o “terraflanismo” que virou lema provocativo no outro lado. Bap já disse que a Libra é verde. Sem contar a gritaria de diretores de futebol e técnicos a respeito de arbitragem.
Até o governador do Rio, Claudio Castro, teve o seu momento na briga entre eles. O político tentou entrar no vestiário do Flamengo com seu filho no Allianz Parque e foi impedido. No jogo no Maracanã, foi a vez de Leila Pereira alegar que o governador proibiu a sua passagem em frente ao camarote dele no estádio e disse que aquilo era uma vingança.
Pela longevidade à frente do Palmeiras, Abel Ferreira também virou um rosto dessa rivalidade entre os dois.
Filipe Luís classifica o português como melhor técnico do Brasil, pelos títulos que conquistou. Mas quer contar a própria história a partir da final deste sábado (29). No Brasileirão, está perto do troféu e em vantagem de cinco pontos. Arbitragem? Segundo Filipe, disso o Palmeiras não pode reclamar.
Se o “Palmeiras não tem Mundial” para os flamenguistas, o “cheirinho” é a esperança dos palmeirenses quem não se lembra da vez que a delegação do Palmeiras fez esse sinal em frente a uma loja do Fla no Aeroporto Santos Dumont, no Rio? E não dá para ignorar o fator Andreas Pereira nesse enredo. Vilão do Fla em 2021, ele neste sábado (29) veste verde.
A rivalidade entre as torcidas, aliás, é antiga. As organizadas têm problemas de relacionamento por causa de alianças externas. A do Flamengo, por exemplo, tem união com a do São Paulo e Cruzeiro. A do Palmeiras, por sua vez, é amiga do Vasco e do Atlético-MG. Isso, claro, já gerou brigas, como a de 2016 no Mané Garrincha, em jogo do Brasileirão. Em Montevidéu, em 2021, e agora em Lima, torcedores também partiram para o confronto, mas com menos gravidade.
Pela consistência dos dois projetos, o jogo no Monumental de Lima não será o último embate direto e relevante entre Palmeiras e Flamengo. E a rivalidade só tende a aumentar e ficar ainda mais concentrada nos dois com a disparidade criada com os demais.
TUDO SOBRE A DECISÃO
No sábado, a partir das 16h, o Posse de Bola Especial, com Eduardo Tironi, traz as últimas notícias antes da final e análises de Arnaldo Ribeiro, José Trajano, Juca Kfouri, Danilo Lavieri e Mauro Cézar Pereira os dois últimos direto de Lima sobre as possibilidades de título de Flamengo e Palmeiras.
Depois do jogo, é a vez do Fim de Papo Especial, com Domitila Becker, que trará entrevistas, bastidores e análises de Casagrande, Fabiola Andrade, José Trajano e Alicia Klein, além do ambiente da final com enviados a Lima.



