SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Nubank desbanca Petrobras (e enfrenta a Febraban), tarifas de Trump questionadas nos EUA e outros destaques do mercado nesta quarta-feira (29).

**ANTES DE COMEÇAR…**

…algumas informações importantes para o seu dia.

“Superquarta”… é o apelido dado pelo mercado financeiro brasileiro para as datas nas quais as decisões da taxa básica de juros do Brasil e dos EUA coincidem. Hoje é um desses dias.

Nos EUA, o anúncio da taxa está previsto para as 15 h. Investidores esperam (desejam?) uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria os juros à faixa de 3,75% a 4,00% ao ano.

No Brasil, o anúncio deve ocorrer por volta das 18h30. Por aqui, a expectativa do mercado é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano.

NAS ALTURAS

Nesta terça-feira (28), pelo segundo dia consecutivo, a Bolsa brasileira bateu recorde.

O Ibovespa, principal índice da praça, fechou em 147 mil pontos pela primeira vez e subiu 0,31% em relação ao pregão passado. O recorde foi renovado 16 vezes.

O dólar recuou 0,17% e terminou o dia cotado a R$ 5,360.

**TARIFAS QUESTIONADAS… NOS EUA**

Assim, como em um passe de mágica, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma medida que considera as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil como ilegais. O pesadelo das relações comerciais acabou? Muita calma nessa hora.

OLHANDO DE PERTO

A medida contesta a base legal das tarifas adicionais de 40% aplicadas pelos EUA ao Brasil em julho e determina que elas sejam imediatamente canceladas.

O presidente americano usou a IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para embasar a decisão de aplicar encargos sem precisar passar pelo Congresso.

Opositores do republicano no Senado propuseram a revogação, alegando que não há emergência econômica que justifique as taxas sobre o Brasil. A maioria concordou.

“Isso é assunto do povo do Brasil. Não é a base sobre a qual aplicamos tarifas aqui nos Estados Unidos”, avaliou o senador democrata Bernie Sanders à Folha.

Alguns membros da alta cúpula do Legislativo também argumentaram que as tarifas contra o Brasil prejudicam o cidadão americano, citando o aumento do preço do café e da carne —duas das principais exportações brasileiras— nos supermercados do país.

É ISSO? ACABOU?

Não é bem assim. Estava bom demais para ser verdade, não é mesmo? A medida ainda precisa passar pela Câmara, onde os aliados de Trump são maioria. Lá, os republicanos aprovaram uma norma impedindo a análise de projetos que questionem as tarifas.

Isso significa que a resolução pode nem chegar a ser pautada na outra Casa.

Mesmo assim… o reconhecimento da ilegalidade pelo Senado dos EUA mostra que há insatisfação entre os legisladores —inclusive alguns republicanos— com a forma como o Brasil foi taxado.

O gesto pode servir como uma pressão extra nas negociações recém-iniciadas com o governo brasileiro para reduzir as tarifas.

**VERDE E AMARELO? ROXINHO**

Para a surpresa de poucos e descontentamento de alguns, o Nubank é agora a empresa mais valiosa do Brasil.

Nesta terça-feira, o banco digital ultrapassou a Petrobras em valor de mercado: avaliado em cerca de US$ 77 bilhões (R$ 412 bilhões), ele supera a petrolífera em US$ 2 bilhões (R$ 11 bilhões).

FAZENDO AS CONTAS

O valor de mercado de uma empresa é calculado multiplicando o preço dos papéis dela pela quantidade de ações disponíveis para negociação nas praças.

As ações do Nubank listadas na Nasdaq, em Nova York, fecharam em baixa de 0,44%, cotadas a US$ 15,93 (R$ 85,38). Já as da Petrobras, na B3, fecharam com leve aumento de 0,02%, cotadas a R$ 30,01.

O RANKING

Na lista das mais valiosas do Brasil, aparecem na sequência o Itaú Unibanco, a Vale e o BTG Pactual. Na América Latina, a liderança é do argentino Mercado Livre, avaliado em US$ 116 bilhões (R$ 622 bilhões).

LÁ FORA

Em setembro, a instituição financeira brasileira deu mais um passo em seu processo de internacionalização, dando entrada no processo para obter a licença bancária nos Estados Unidos.

SEM FREIO?

Falando assim, até parece que nada está no caminho do sucesso do Nubank. Contudo, uma briga pode azedar um pouco os planos do banco digital.

De um lado do ringue, estão as fintechs, grupo ao qual o roxinho pertence. Elas argumentam que já pagam mais impostos que os bancos tradicionais e precisam de liberdade —regulatória e financeira— para prosperar em suas atividades.

Na ponta oposta, estão o governo e a Febraban, que representa os “bancões”, defendendo maiores encargos financeiros para as fintechs (algumas já “maiores que os bancos”, segundo o presidente Lula), bem como uma regulamentação mais rígida sobre elas).

↳ Polêmicas recentes, como a infiltração do PCC em fundos de investimento do mercado financeiro formal (alguns geridos por fintechs) e todo o imbróglio envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, potencializam a insatisfação com as financeiras digitais.

**VACAS GORDAS**

Um dos maiores frigoríficos brasileiros está tentando a sorte do outro lado do mundo. A Marfrig selou um acordo com um fundo soberano de investimentos da Arábia Saudita, o que adoçou a relação da companhia com o mercado.

BONECA RUSSA

A Marfrig agora é MBRF, uma empresa que nasceu da fusão entre o frigorífico e a BRF —que, por sua vez, é resultado da junção da Sadia com a Perdigão.

A criação da MBRF a partir da incorporação da BRF pela outra parte foi aprovada pelo tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em setembro, sem restrições.

A companhia tem receita aproximada de R$ 152 bilhões por ano e está presente em 117 países.

O TERCEIRO CASAMENTO

A BRF Arabia, uma das subsidiárias da MBRF, assinou ontem uma joint venture com a Halal Products Development Company (HPDC) chamada Sadia Halal.

“Joint venture” é uma terceira empresa criada pela união entre duas outras para um objetivo em comum. Nesse caso, a meta é otimizar a exportação e distribuição diretas de aves, bovinos e produtos processados para o Oriente Médio.

Produtos designados como ‘halal’ seguem as normas e preceitos da lei islâmica. Para uma carne atender a esse critério, o animal precisa ser abatido de uma forma específica, por exemplo.

O negócio amplia a exposição da companhia a mercados onde há predominância do islamismo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã.

AGRADOU

As ações da MBRF terminaram o dia acumulando alta de 15,63%, chegando a subir 24% na máxima do dia. O papel teve a maior alta no pregão recorde de ontem.

O negócio foi uma demonstração de que o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e de frango, consegue conquistar novos mercados enquanto os EUA, um de seus principais compradores, reduzem drasticamente as encomendas. Isso ajuda a explicar o bom humor dos investidores.

Há planos de que a Sadia Halal faça a abertura de seu capital na bolsa de Riad, capital da Arábia Saudita, no primeiro trimestre de 2027.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Tijolão? Os celulares da década de 2000 ficaram para trás. A Nokia anunciou que receberá um investimento de US$ 1 bilhão da Nvidia para impulsionar os projetos de inteligência artificial da empresa.

Falando em Nvidia… a empresa vai construir supercomputadores de IA para o Departamento de Energia dos EUA. O CEO da companhia, Jensen Huang, disse ter US$ 500 bilhões em encomendas de chips.

Só “Blue”, sem “bank”. O ex-BlueBank, cisão do Master comandada por Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro, não operará mais como banco após negativa do BC e passará a se chamar Blue.

Pode comer ou não pode? A Anvisa está em alerta com a confusão entre o glitter, feito usando pedacinhos de plástico, e o pó decorativo usado em bolos e confeitos.