BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Forças israelenses bombardearam os subúrbios da Cidade de Gaza nas últimas horas, destruindo casas e forçando mais famílias a deixarem a área, enquanto o gabinete de segurança do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu se prepara para discutir neste domingo (31) um plano de tomar a cidade.

Autoridades locais de saúde disseram que tiros e ataques israelenses mataram pelo menos 30 pessoas no domingo, incluindo 13 que tentavam conseguir comida próximo a um ponto de ajuda no centro da Faixa de Gaza, e pelo menos duas em uma casa na Cidade de Gaza.

O escritório do porta-voz militar israelense disse que está analisando os relatos.

Ao mesmo tempo, a rede de notícias Al Arabiya disse que um ataque separado israelenses em Gaza matou Abu Obeida, porta-voz das brigadas al-Qassam, braço armado do grupo terrorista Hamas. Uma fonte palestina disse à Al Arabiya que Israel atingiu um apartamento em Gaza onde estava Obeida.

Já o The New York Times citou três fontes israelenses que informaram que militares do país realizaram uma operação contra Obeida, embora não tivessem confirmado se a ofensiva tinha sido bem-sucedida.

Obeida –um nome de guerra, segundo o jornal americano– aparece com frequência em vídeos divulgados pelo Hamas.

O exército israelense tem intensificado gradualmente suas operações ao redor da Cidade de Gaza nas últimas três semanas e, na sexta (29), encerrou as pausas temporárias na área que permitiam a entrega de ajuda. Israel designou a região como uma “zona de combate perigosa”.

Um oficial israelense informou que o gabinete de segurança de Netanyahu se reunirá na noite deste domingo para discutir as próximas etapas da ofensiva planejada para tomar a Cidade de Gaza, que ele descreveu como o último reduto do Hamas.

Uma ofensiva em grande escala não deve começar por algumas semanas. Israel afirma que deseja evacuar a população civil antes de enviar mais forças terrestres.

No sábado (30), a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, disse que uma evacuação da cidade provocaria um deslocamento massivo da população que nenhuma outra área da Faixa de Gaza tem capacidade de absorver, diante da grave escassez de alimentos, abrigos e suprimentos médicos.

Cerca de metade dos mais de 2 milhões de habitantes do enclave estão atualmente na Cidade de Gaza. Segundo fontes locais, estima-se que vários milhares tenham deixado a cidade em direção às áreas central e sul do enclave.

O exército israelense alertou seus líderes políticos de que a ofensiva está colocando em risco os reféns que ainda estão sendo mantidos pelo Hamas em Gaza. Protestos em Israel pedindo o fim da guerra e a libertação dos reféns se intensificaram nas últimas semanas.

Grandes multidões se manifestaram em Tel Aviv na noite de sábado, e famílias de reféns protestaram em frente às casas de ministros na manhã de domingo.

A guerra começou com um ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas, em sua maioria civis, e 251 foram feitas reféns. Vinte dos 48 reféns restantes acredita-se que ainda estejam vivos.

Por outro lado, a campanha militar de Israel em Gaza já matou mais de 63 mil pessoas, em sua maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza, mergulhando o enclave em uma crise humanitária e deixando grande parte da região em ruínas.