UCHOA E BARRETOS, SP (FOLHAPRESS) – Alvos de frequentes questionamentos de entidades de proteção animal, os touros utilizados em rodeios no país pulam por índole e não pelo uso do sedém (cinta presa ao animal), afirma Marcondes Maia, dono da Cia 2M e um dos tropeiros mais reconhecidos pelo segmento.

O sedém é a principal discórdia existente entre organizadores de eventos como a Festa do Peão de Barretos, que acaba neste domingo (31), e grupos de proteção animal. As disputas que ocorrem nas arenas, especialmente as montarias em touros, são questionadas por essas associações, que afirmam existir maus-tratos nos rodeios.

As entidades afirmam que o sedém e as esporas machucam os animais e que há lesões nos touros, o que os tropeiros refutam. Também afirmam que o som alto e a luminosidade excessiva das arenas estressam os animais.

“A resposta mais correta é para que um leigo entenda e uma criança entenda. O Brasil hoje é o segundo maior criador de boi do mundo. Se o sedém machucasse, fizesse o boi pular porque machuca ele, ninguém iria pagar R$ 1 milhão num boi”, afirma.

Dono de um centro de treinamento localizado em Uchoa, na região de São José do Rio Preto, Maia participa ativamente da recriação da Federação Paulista de Rodeio, paralisada há sete anos, e tem boiada que está sendo utilizada no Barretos International Rodeo, realizado até este domingo (31) na Festa do Peão de Barretos.

As negociações mais comuns envolvendo touros de rodeio giram em torno de R$ 500 mil a R$ 600 mil, mas há animais que já foram avaliados em R$ 1,5 milhão ou mesmo R$ 2 milhões. O campeonato da PBR (Professional Bull Riders), encerrado domingo passado (24) em Barretos, premiou com R$ 50 mil a melhor boiada.

Maia argumenta ainda que há estudos acadêmicos que indicam não haver danos aos animais, mas também disse que é preciso separar eventos sérios de outros. A Folha esteve em rodeios menores e presenciou chutes em animais.

“Vejo muitas críticas em relação ao rodeio e acho que há razão em algumas partes, não 100%. Porque eu sei que não é fácil para manter um bem estar animal. Aplico o bem-estar animal aqui desde a prenhez até a nascença, e os bezerros, quando nascem, ficam em lugares em que não podem tomar muito vento ou sol quente demais, já que são frutos de barriga de aluguel”, disse.

Tropeiros ouvidos pela Folha afirmam que o custo mensal de manutenção com um touro varia de R$ 1.500 a R$ 2.000, por terem convênio com clínicas veterinárias, ração balanceada e por receberem terapias como acupuntura.

Em Uchoa, Maia tem uma fábrica de ração própria que produz quase tudo que os animais necessitam –o restante é importado.

“É caro e tem que ter profissional para trabalhar com isso. Não adianta eu, por exemplo, ir lá e colocar a mão na massa. Eu não sei fazer. Eu sou proprietário, mas eu tenho equipe que me prepara para isso. Tenho convênio médico da minha boiada justamente por conta disso. Meu convênio médico é disponível 24 horas. Não só eu, mas há outros que têm convênio com eles. Isso eu chamo de bem-estar animal. Não é botar uma ração no coxo e falar que isso é bem-estar. Isso é o mínimo que você tem que fazer”, disse.

A Festa do Peão de Barretos lançou nos últimos anos uma campanha com “verdades e mentiras” sobre o rodeio e alega que o sedém é de algodão e não causa lesão ou dor nos animais.

Maia está à frente de um projeto para recriar a Federação Paulista de Rodeio, que tinha sede em São Paulo e que, se avançar, deverá ser transferida para o Parque do Peão de Barretos, onde já funciona a CNAR (Confederação Nacional de Rodeio).

O tropeiro ainda disse que as ações contra rodeios diminuíram nos últimos anos, após decreto assinado em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

ACOMPANHAMENTO DIÁRIO

Também presente em Barretos, o tropeiro Paulo Emílio, dono do lendário touro Bandido, afirmou que seus animais são acompanhados diariamente por veterinário e que eles recebem alimentação balanceada normalmente duas vezes ao dia, equilibrada com proteínas, carboidratos e silagem.

“Cada animal tem uma dieta separada, alguns precisam comer mais, outros menos”, disse ele, que tem 600 cabeças de gado na fazenda, das quais entre 70 e 80 estão prontos para serem usados em rodeios. animais como Bandido tinham tratamento inclusive com pedicure a cada dois dias, para cuidar dos cascos.