SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Internacional inverteu os papéis e escreveu um texto em homenagem ao escritor Luis Fernando Veríssimo, ilustre torcedor do clube que morreu neste sábado (30) aos 88 anos.
O Inter publicou uma despedida ao escritor: “Marcou o imaginário do povo brasileiro”. Veríssimo estava internado em Porto Alegre devido a complicações por uma pneumonia.
O clube também lembrou a icônica crônica “Não me acordem”, publicada após o título mundial de 2006. “E fiquei pensando que, quando for a nossa vez de novo, teremos certamente a torcida mais dedicada, fiel, convicta e feliz do Brasil. Porque será a torcida dos que resistiram”, escreveu Veríssimo na ocasião.
“Hoje nos despedimos de um colorado que, com sua escrita, marcou o imaginário do povo brasileiro. Torcedor do Clube do Povo, ficou conhecido pelos seus textos em formato de crônicas, contos e poemas. O Inter deseja força para todos os familiares, amigos e leitores de um dos maiores nomes da literatura nacional”, disse o Inter, nas redes sociais.
COLORADO DE CORAÇÃO E ‘RIVAL’ DO PRÓPRIO PAI
Filho do também escritor Erico Verissimo, torcedor do Grêmio, Luis Fernando “desafiou” o pai apoiando o rival no futebol. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, o autor disse que o pai passou a torcer pelo Tricolor depois que a outra equipe que apoiava acabou.
“Ele era torcedor de um time chamado Cruzeiro, porque tinha escutado muito na escola, o ‘Cruzeiro do Sul’. Quando o Cruzeiro acabou, ele, por alguma razão inexplicável e misteriosa, preferiu o Grêmio em vez do Internacional. A gente não fala disso em casa”, disse Luis Fernando Verissimo, ao Conversa com Bial.
O cronista participou da cobertura das Copas de 2002, 2006 e 2010 pelo jornal O Globo. Veríssimo chegou a acompanhar entrevistas e cobrir in loco o título do penta da seleção brasileira.
Uma de suas dezenas de obras recebe o nome de “Time dos Sonhos: Paixão, Poesia e Futebol”. No livro, o escritor se derrete pelo Inter e classifica o futebol como uma mistura do Xadrez e do Boxe.
“Eu nunca tinha visto um vermelho assim antes, e nos sessenta anos seguintes nunca o vi da mesma maneira outra vez. Um vermelho só reproduzível na memória. Um vermelho inaugural, inédito, como o de um rio de lava no começo do mundo. E o meu coração se deixou levar”, diz trecho do livro Time dos Sonhos: Paixão, Poesia e Futebol, de Veríssimo.
Colorado ilustre, ele também escreveu um livro sobre sua paixão pelo clube. Veríssimo lançou “Internacional: autobiografia de uma paixão” em 2004.