SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O surfe brasileiro pode ter um novo campeão mundial nos próximos dias: Yago Dora.

Líder do ranking da temporada, o paranaense de 29 anos precisa vencer apenas uma bateria de menos de uma hora no WSL Finals para erguer o troféu inédito de campeão do mundo.

Mais do que a vantagem matemática do formato, Yago chega embalado por uma temporada consistente e por um encaixe técnico que parece feito sob medida para as ondas de Fiji.

FORMATO FAVORECE

Desde a adoção do WSL Finals, o líder do ranking tem uma vantagem clara: entrar direto na decisão. Yago só precisa vencer um adversário — que chegará desgastado de até três baterias anteriores — para conquistar o título.

Caso perca a primeira bateria da decisão, ainda tem direito a duas novas chances em uma série melhor de três.

Ou seja: ele pode ser campeão mundial com apenas uma bateria disputada. Nenhum dos rivais tem cenário mais favorável. E o retrospecto joga ainda mais a seu favor: até aqui, todo líder do ranking no masculino saiu campeão mundial no Finals desde 2021.

ENCAIXE PERFEITO

Se o formato já dá vantagem, o palco reforça ainda mais o favoritismo. Goofy de origem, Yago surfa de frente para as esquerdas tubulares e manobráveis de Cloudbreak, uma onda que exige leitura, paciência e criatividade — características que estão entre seus pontos fortes.

“A onda em si, de Cloudbreak, encaixa muito com o meu surfe, é o tipo de onda que amo surfar. É uma onda para a esquerda, tubular, tem manobra também, então é uma onda de linha que proporciona bastante usar a nossa leitura de onda, a nossa criatividade, e esse é o estilo de surfe que gosto de fazer”, disse Yago Dora.

Em 2024, ele já mostrou evolução significativa no arquipélago, alcançando as quartas de final e consolidando confiança para este ano.

TEMPORADA CONSISTENTE

Yago Dora não chegou ao topo por acaso. Em 2025, conquistou vitórias em Peniche (Portugal) e Trestles (EUA), foi vice em J-Bay (África do Sul) e somou quatro quintos lugares, garantindo a liderança com folga.

“Assumi a liderança na hora certa, na reta final, e ter essa vantagem para o último evento é algo bem importante”, disse Yago Dora.

A LIÇÃO DE TEAHUPOO

Se há uma sombra recente, ela vem do erro em Teahupo’o, no Taiti, quando foi eliminado nos segundos finais por não usar a prioridade.

Yago chamou de “erro bobo”, mas transformou a falha em combustível: viajou direto para Fiji, treinou por dez dias seguidos no pico e trabalhou o mental com yoga e meditação.

“Estou muito animado por estar pela primeira vez disputando o título, com muita vontade de ganhar esse primeiro título. Acho que fiz um ano muito bom e quero concretizar isso, finalizar o ano e provar que fui o melhor surfista da temporada”, disse Yago Dora.

FAVORITO, MAS NÃO SOZINHO

Na disputa, Yago terá pela frente adversários de peso: Italo Ferreira, campeão mundial e olímpico, Griffin Colapinto, atual vencedor em Fiji, além de Jack Robinson e Jordy Smith.

TÍTULO INÉDITO

Se confirmar o favoritismo, o paranaense escreverá um capítulo inédito: seu primeiro título mundial e mais um troféu para a era dourada do surfe brasileiro.

Caso Yago vença, será o oitavo título brasileiro em onze anos, coroando a força da Brazilian Storm.

De olho nesse marco, a WSL Brasil lançou a campanha #BrasilnoWSLFinals, convocando a torcida para apoiar Yago Dora e Italo Ferreira nas redes sociais.

WSL FINALS 2025

Quando: Entre 27 de agosto e 4 de setembro

Horário: 16h30 (horário de Brasília)

Local: Cloudbreak, Fiji

Onde assistir: Sportv, WSL site/app e YouTube