SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Corregedoria da Polícia Civil apura uma discussão entre o ouvidor da polícia de São Paulo, Mauro Caseri, e um policial do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos) em frente a um bar no centro de São Paulo, no começo do mês.
O agente chegou a fotografar com um celular o documento de identificação do ouvidor, procedimento considerado irregular por Caseri, que é advogado. Uma das funções do ouvidor é receber denúncias contra policiais civis e militares e encaminhá-las aos órgãos disciplinares.
Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) disse que “o fato está sendo apurado em procedimento instaurado pelo órgão corregedor”. “A apuração busca esclarecer as circunstâncias do ocorrido e eventuais responsabilidades”.
Caseri contou à reportagem que seguia para casa, quando viu o policial abordando uma jovem na porta de um bar, na Vila Buarque.
“Eu estava passando e deparei com a cena de uma menina filmando o comportamento dele. Nisso, ele se aproxima da menina de maneira enérgica e pede a ela o documento. É nesse momento que eu entro. Ele não pode pedir o documento porque a pessoa está filmando”, disse.
A abordagem teria começado após o policial ter se irritado com um grupo de dança que se apresenta em bares na região, conhecido como Brasil Legal.
Caseri viu o ocorrido e se apresentou como ouvidor da polícia. De acordo com ele, o policial afirmou que a exibição dos artistas estava atrapalhando o trânsito. O episódio foi gravado.
O policial civil estava na companhia de um outro agente, ambos uniformizados, em um carro caracterizado da Polícia Civil. “Na verdade, ele que atrapalhou, porque parou a viatura [na rua].”
O ouvidor diz ao policial que ele não poderia ter uma postura intimidatória por estar sendo filmado, já que é um servidor público.
Caseri, então, entrega o documento que portava, uma carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). “Ele passa a fotografar meu documento. Ele não pode, principalmente com o telefone particular”, afirmou.
Em seguida, o ouvidor diz ao policial que vai fotografá-lo, momento em que o policial aponta o celular para ele.
Caseri pede mais de uma vez a devolução da identidade. O policial ignora. O ouvidor diz que a postura é inadequada, e o agente responde que é o trabalho dele.
Em outro momento, o policial diz que o ouvidor está alcoolizado. Caseri nega. O policial retruca e diz sentir o teor alcoólico. “Eu não bebo, sou abstêmio”, disse à Folha de S.Paulo.
Caseri contou que o policial se identificou apenas como Denis, sem informar o sobrenome ou a função na polícia. Na conversa, o ouvidor afirma que iria avisar o corregedor sobre o acontecido. O outro policial tenta acalmar a discussão. Ele até passa o endereço do Garra para uma possível queixa por parte do ouvidor.
Depois de um tempo, o policial devolve o documento, entra na viatura e vai embora.
“Não se tem algo de grave, mas que gere um alerta de que ele deve respeitar as pessoas”, completou Caseri.