BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vai participar do ato pró-Bolsonaro na avenida Paulista no Dia da Independência, em 7 de setembro, que ocorrerá em meio ao julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) da trama golpista de 2022.
Tarcísio confirmou a participação à Folha de S.Paulo. O governador é considerado hoje o principal nome à sucessão do ex-presidente por integrantes do mundo político, apesar de negar publicamente essa possibilidade e reafirmar seu desejo de concorrer à reeleição. Por isso, vem sofrendo críticas dos filhos de Bolsonaro, que desejam manter na família o espólio eleitoral do ex-presidente.
As manifestações de 7 de setembro serão uma forma de mostrar apoio a Bolsonaro, com pedidos por anistia e críticas à corte. O ex-presidente está em seu momento de maior fragilidade política: em prisão domiciliar, com visitas restritas, pessimista e com uma perspectiva de condenação na corte sob acusação de ser um dos líderes da trama. Somadas, as penas ultrapassam 40 anos.
Outro governador de direita na disputa pelo Palácio do Planalto no ano que vem, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, também vai à manifestação em São Paulo, segundo assessores.
Os governadores de direita foram alvos de críticas por não terem comparecido ao último ato na Paulista, em 3 de agosto, quando Bolsonaro já estava com tornozeleira eletrônica na ocasião. Uma fala por vídeo dele no ato de Copacabana levou Alexandre de Moraes, do STF, a determinar prisão domiciliar por descumprimento de medida cautelar.
Tarcísio realizou um procedimento médico na data da mobilização em São Paulo. Ele recebeu alta à noite.
Estratégia
Bolsonaristas mudaram a estratégia de suas manifestações, que agora acontecem em todas as capitais. Mas a da avenida Paulista, organizada pelo pastor Silas Malafaia, ainda é tradicionalmente a principal.
Indiciado pela PF (Polícia Federal), o religioso diz que a manifestação de 7 de setembro será maior do que a anterior -cujo quórum foi ligeiramente melhor do que as que aconteceram antes, mas ainda aquém dos primeiros atos pró-Bolsonaro desde que Lula (PT) se elegeu. Ele também diz que manterá o tom crítico ao STF.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tampouco foi à Paulista no último dia 3, participará no ato no 7 de Setembro, segundo Malafaia. À época, Michelle cumpria agenda em Belém e decidiu participar de lá, onde fez um discurso dizendo que seu marido era censurado.
“[Falarei] Do mesmo jeito que eu faço sempre”, disse o pastor. “Sem refrescar nada. Não estou impedido disso, não, apesar da covardia, de toda injustiça. Opinião não é crime, criticar ministros do STF não é crime. Vou abrir a boca lá e não vai ser brincadeira não.” O pastor já admitiu a possibilidade de prisão em entrevista à Folha após o indiciamento.
Questionado se acredita que será possível alterar em alguma coisa o curso do julgamento do Supremo, o pastor diz que ” Bolsonaro já foi julgado”.
“Dos cinco ministros que vão julgar, três estão em suspeição. O que estamos fazendo é influenciar sociedade e pressionar o Congresso Nacional. Essas são as duas questões. STF, só intervenção do divino, se você quer saber minha opinião”.
O julgamento de Bolsonaro e demais réus da trama golpista começará na terça-feira (2) e seguirá até o próximo dia 12, na Primeira Turma do STF.
A ida do ex-presidente à corte nesses dias ainda é incerta, segundo sua defesa. Ele havia dito a interlocutores que tinha interesse de ir, mas seu quadro de saúde pode impossibilitar a participação. Bolsonaro tem tido crises de soluço, que muitas vezes levam a vômitos.
Bolsonaristas dizem que não há outras manifestações planejadas para o período, ainda que esperam atos espontâneos, caso se confirme uma condenação do ex-presidente.
Parlamentares devem intercalar discursos na tribuna em defesa de Bolsonaro durante essas duas semanas e também tentam se credenciar para acompanhar julgamento da corte, como no caso dos deputados Zucco (PL-RS) e Sanderson (PL-RS).
Bolsonaro nega ter tentado um golpe, mas, ao mesmo tempo, admite ter discutido estado de sítio e medidas similares em um contexto no qual tais ações não eram legalmente aplicáveis.