SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A atlética do curso de medicina da USP (Universidade de São Paulo) expôs nesta semana, em frente a suas instalações esportivas, um cartaz mostrando uma pessoa indígena sendo pisoteada e com uma arma apontada para a cabeça.
Em protesto, estudantes da universidade rasgaram a imagem nesta terça-feira (27). Agora, eles cobram punições aos envolvidos no que chamam de episódio racista e extremamente violento.
O desenho fazia referência à atlética de medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), cujo mascote é um homem indígena. No mesmo cartaz, ainda havia um urso e uma cobra, em alusão às faculdades de medicina do ABC e da Santa Casa, respectivamente.
Em publicação no Instagram, a Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, da USP, afirma que sua intenção era ilustrar a rivalidade entre instituições devido à proximidade da Intermed maior competição médica-universitária da América Latina.
Em nota, Faculdade de Medicina da USP afirma que, tão logo tomou conhecimento da imagem colocada em frente à sede esportiva da atlética, no centro da capital, solicitou a sua retirada imediata e conversou com os alunos sobre a inadequação da manifestação.
“A própria associação reconheceu que a faixa não era apropriada e que desrespeitava a luta das comunidades tradicionais”, informa a instituição.
A faculdade ainda diz não compactuar com manifestações de violência, preconceito, racismo ou qualquer forma de discriminação e estar comprometida com o respeito, a diversidade e a promoção de um ambiente acadêmico pautado em valores éticos e inclusivos.
O Levante Indígena da USP, representante dos povos originários na universidade, exigiu que o cartaz fosse entregue ao grupo e rasgou o material.
Seus membros apontam dois problemas no ocorrido. O primeiro é a imagem de violência, e o segundo é o uso de um indígena como mascote pelos alunos da Unifesp, fato chamado de “racismo recreativo”.
“Episódios como esse acontecem sob a ausência de indígenas em vários cursos, provocada pela falta de vontade política das universidades em promover o acesso”, diz o levante.
A reportagem entrou em contato com a atlética de medicina da Unifesp, por meio das redes sociais, para comentar a crítica a seu símbolo. Até a publicação deste texto, não houve resposta.