SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória ao policial militar Anderson Pereira de Almeida, acusado de matar o marceneiro Guilherme Dias Santos Ferreira, 26, em 4 de julho na Estrada Ecoturística de Parelheiros, no extremo da zona sul de São Paulo.

Ele estava preso desde o dia 16 de julho, após ser indiciado por homicídio doloso e o Ministério Público oferecer denúncia. A justificativa para a prisão era a manutenção da ordem publica.

O militar havia sido preso em flagrante no dia do crime, mas foi posto em liberdade após pagar fiança de R$ 6.500.

Ele responde a acusação de homicídio doloso qualificado e tentativa de homicídio. De acordo com a acusação, o militar atirou três vezes pelas costas na vítima e também feriu uma mulher que estava nas proximidades. A reportagem não conseguiu localizar sua defesa.

No pedido de habeas corpus, o advogado João Carlos Campanini argumentou que a prisão depois de 45 dias era desproporcional, além de ele ser réu primário, ter atividade lícita e não ter descumprido as medidas aplicadas.

Na decisão, de quarta-feira (27), o desembargador Marco de Lorenzi concedeu a liberdade provisória aplicando medidas cautelares. O militar deve comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades, não pode frequentar bares e outros estabelecimentos que comercializem bebidas alcoólicas, não pode manter contato com testemunhas, deve se manter em casa das 22h às 6h e nos dias de folga, além da obrigatória assinatura de termo de compromisso de comparecimento a todos os atos processuais.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), o policial Fábio Anderson Pereira de Almeida, que estava de folga, teria confundido o marceneiro Guilherme Dias Santos Ferreira, um homem negro que trabalhava em uma fábrica de camas, com um assaltante. A vítima havia acabado de sair do trabalho e estava a caminho de um ponto de ônibus. Ele carregava carteira, celular, um livro e uma marmita.

Antes, segundo o boletim de ocorrência, o agente havia reagido a uma tentativa de roubo por um grupo de motociclistas, às 22h35. Ele fez disparos para dispersar os suspeitos. Um deles teria deixado a moto no local.

Uma testemunha que estava próxima ao PM contou, ainda de acordo com o registro, ter visto quando ele atirou em Guilherme, que se aproximava da motocicleta caída no chão, uma Honda CBX 250 Twister de cor azul. Ainda segundo essa testemunha, o agente atirou afirmando que tinha certeza que Guilherme estava envolvido no assalto.

Almeida foi afastado das ruas e fará trabalho administrativo, segundo a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele fará companhia a outros dois PMs do mesmo batalhão afastados após a morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, em novembro passado.

Os três atuam na 2ª Companhia do 12° Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, com sede na Vila Mariana, na zona sul da capital.

Nas redes sociais, a família de Guilherme pediu justiça e disse estar indignada por ele ter sido confundido com um criminoso.

Segundo o boletim de ocorrência, no momento em que levou o tiro, Guilherme corria para pegar o ônibus. Ao sair do trabalho, ele registrou no status no WhatsApp o horário em que bateu o ponto após o final do expediente: 22h28.