SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quando foi lançado o edital para a criação da Estação Cidadania 2, em novembro de 2023, a Prefeitura de São Paulo falava em atender as pessoas em situação de rua com a distribuição de mil refeições, que seriam produzidas em outros lugares, por dia. Passados 19 meses, o serviço foi aberto sem a distribuição de uma marmita sequer.

Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que não oferece alimentação no local para evitar a sobreposição de serviços e que os funcionários são orientados a encaminhar quem busca alimentação. “A região de Santa Cecília conta com 15 serviços voltados à população em situação de rua que somam mais de 4.800 vagas e ofertam diariamente refeições”, afirma.

Nesse período, o endereço do serviço também mudou. Prevista antes para o entorno da praça Júlio Prestes, na Luz, a estação foi instalada em um prédio na rua das Palmeiras, próximo à praça Marechal Deodoro. A prefeitura afirma que a mudança “foi baseada em estudos técnicos sobre o fluxo da população em situação de rua e a integração com a rede socioassistencial já existente”.

A equipe de atendimento já estava formada para começar a trabalhar em outubro do ano passado, mas mudanças de endereço e a necessidade de reforma do prédio escolhido, atrasaram a sua inauguração. As primeiras contratações ocorreram em abril do ano passado.

A falta de refeições não é a única diferença entre o serviço proposto e o que está em funcionamento. O número de banheiros diminuiu. Eram previstos seis banheiros masculinos e seis femininos, além de um para pessoa com deficiência. Foram instalados dois banheiros femininos, três masculinos e um para pessoa com deficiência.

Originalmente, haveria também lavanderia, guarda de carroças e banho e tosa de animais. Segundo a prefeitura, tais serviços estão em “fase de implantação gradativa”, sem citar prazos. O edital citava a capacidade de guarda para dez carroças e a instalação de quatro máquinas de lavar roupa e outras quatro de secar.

Os bebedouros previstos foram instalados. Segundo a gestão Nunes, em pouco mais de uma semana de funcionamento, houve 1.500 acessos a eles. A prefeitura afirma que também registrou mil usos de banheiros, 300 banhos, 40 atendimentos individuais e 60 participações em atividades em grupo.

Para quem acompanha o serviço, as outras atividades poderiam ter mais adesão caso as refeições fossem servidas no local, uma vez que a possibilidade de comida é um fator de atração para essa população.

Nos últimos meses, a Estação Cidadania 1, na avenida Rangel Pestana, próxima à praça da Sé, teve uma redução na distribuição de comida. Das mil marmitas distribuídas diariamente no começo do ano, houve primeiro uma redução para 800 e depois para 600. O local teve também uma redução no número de banheiros e de chuveiros, provocado por problemas estruturais do prédio, uma antiga agência bancária.

Em maio deste ano, o vice-prefeito Mello Araújo (PL) anunciou que a prefeitura estudava reduzir os equipamentos sociais na região central. Um plano semelhante foi criado no mesmo período para a Mooca, na zona leste. Um grupo de trabalho foi criado para analisar e “propor soluções para a transferência dos centros de acolhimento” instalados na região.