SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O jantar beneficente em apoio a ONG Casa do Rio nesta quinta-feira (28) arrecadou R$ 1,2 milhão, recurso suficiente para iniciar a construção de um hub de inovação na Amazônia. O gala no Matarazzo Ballroom, espaço de eventos no Rosewood São Paulo, reuniu mais de 300 pessoas, entre lideranças e artistas indígenas, celebridades, filantropos e empresários.
“A gente não pode pensar futuro sem ancestralidade. E a casa de conhecimento indígena vai fortalecer o que a gente precisa para esse futuro”, disse Thiago Cavalli, fundador da Casa do Rio.
Ele abriu a noite chamando ao palco mulheres que atuam pela ONG na região de Careiro Castanho, pequena cidade a 120 km de Manaus (AM). Entre elas, a liderança indígena Vanda Witoto (finalista do Prêmio Empreendedor Social neste ano), a ativista Rita Teixeira e a filantropa Katia Francesconi.
O evento contou com famosos que abraçam a causa, como Fernanda Lima, Carolina Ferraz, Bárbara Paz, Gabriela Prioli, Astrid Fontenelle, Rafa Kalimann e Chay Suede, além da deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP) e da estilista Cris Barros.
As artistas Weena e Djuena Tikuna abriram o jantar com o canto ancestral “Maracanandé” e Criolo encerrou a noite com show que também trouxe ao palco a cantora Assucena.
No cardápio, iguarias como pamonha com queijo boursin e pancs (plantas alimentícias não convencionais), prejereba assada, bobo de mandioquinha e cupulate, preparados pela chef-executiva do hotel, Rachel Codreanschi, além da castanhada da Dona Nega.
“Essa noite com espírito da Amazônia foi sonhada há pelo menos 12 anos. Estou emocionado e realizado por termos batido a meta das doações”, afirma Jeff Ares, fundador da Pedra, escritório de comunicação e responsabilidade social.
O centro de saberes da floresta, que tem orçamento total de R$ 5 milhões, será um espaço dedicado a agroflorestas, bioeconomia, empreendedorismo socioambiental e programas para mulheres e jovens no Amazonas.
“É o evento mais importante que o Rosewood faz para uma causa. E nos surpreendemos com a generosidade das pessoas, das flores aos músicos. Quando você faz com propósito, as pessoas aderem”, diz Silvio Araújo, diretor de Vendas e Marketing do Rosewood São Paulo.
Em 2023, o Rosewood organizou um baile de carnaval com a proposta de “abraçar a Amazônia” e doou R$ 70 mil para a Casa do Rio. No ano seguinte, a rede hoteleira fez o primeiro jantar beneficente para a ONG, que arrecadou R$ 120 mil para estruturar brigadas de incêndio comunitárias.
Desta vez, o hotel doou a locação e a produção do evento -práticas consideradas fora do comum em jantares do tipo, quando as próprias organizações precisam bancar esse investimento ou buscar apoiadores que cubram esses custos.
“Esse engajamento foi inédito, do tipo que não vemos nos Estados Unidos, onde a cultura de doação é forte”, afirma Katia Francesconi, que dirige fundação americana que leva seu nome e é a principal apoiadora da Casa do Rio. “Que encontro possa inspirar outras almas.”
Entre os 13 itens leiloados estavam obras de arte como a de Sonia Gomes, doada pela Galeria Mendes Wood (arrematada por R$ 200 mil, maior lance da noite), a luminária Arumã, de Marcio Kogan e etnia Baniwa e imersões na floresta nos hotéis Cristalino Logde e Pouso das Castanheiras.
“A Casa do Rio tem um cuidado especial com crianças e mulheres. Oportuniza espaços de afeto e tecnologias de bem viver que precisam ser celebrados”, diz Renata Peixe-Boi, criadora da Cozinha Boca da Mata.
Fundada em 2014, a ONG atende mais de 300 famílias ribeirinhas em uma região que sofre com desmatamento, queimadas e grilagem de terras e é cortada pela BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho (RO) e cuja pavimentação é um dos projetos mais controversos de infraestrutura do país.