SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em um futuro distópico, entre satélites em órbita e conexões de alta velocidade, surge uma história de amor singular. A audionovela “No Espaço Entre Nós”, criada por Elayne Baeta e dirigida por Bianca Comparato, propõe um romance entre mulheres vivido entre a Terra e o espaço sideral.
As protagonistas são Maitê, uma psicóloga espacial vivida por Alanis Guillen, e Lilit, uma inteligência artificial dublada por Alice Carvalho. Para além da ficção científica, o roteiro aposta na representatividade e no afeto como motores narrativos.
É o primeiro Audible Original brasileiro de ficção científica sáfica, e o elenco também inclui nomes como Yara de Novaes, Gero Camilo, Camila Fremder e Pedro Ottoni. A trilha sonora é assinada por Jade Baraldo. A trama estreia nesta sexta, 29 de agosto, data em que também se celebra o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica.
Elayne Baeta, autora da história, revela que o convite para escrever o projeto foi um divisor de águas. “Eles queriam algo representativo, mas também não usual. A primeira coisa que pensei foi brincar com o estereótipo do relacionamento sáfico à distância. Então pensei: por que não torná-lo o mais distante possível? Uma está na Terra, a outra no espaço. Foi um desafio enorme, mas claro que topei”, conta.
A escritora, conhecida pelo best-seller “O Amor Não É Óbvio”, descreve ainda a audionovela como uma oportunidade de experimentar novas formas de narrar sentimentos. “O amor é extremamente tecnológico. É uma das tecnologias mais avançadas, porque nunca deixou de se atualizar. Eu quis entregar isso: como, mesmo em cenários distópicos, sentimentos continuam sendo motores de histórias.”
Se para Elayne o desafio foi criar, para Alice Carvalho o grande aprendizado veio na interpretação. A atriz empresta a voz a Lilit, inteligência artificial que carrega não só complexidade técnica, mas também identidade cultural. “A gente está acostumado com vozes de GPS, Alexa, telefone. Meu maior desafio foi não cair na caricatura. Eu quis trazer o humano para dentro da máquina”, explica.
Alice vê simbolismo na decisão de manter o sotaque nordestino em Lilit. “Eu faço parte de um grupo minorizado, muitas vezes estigmatizado, que não é sinônimo de inteligência. E, de repente, ser convidada para viver uma inteligência artificial sem mudar nada da minha prosódia natural foi uma das coisas mais incríveis. Uma IA nordestina mexe com a percepção do público”, afirma.
Alanis Guillen, por sua vez, vive Maitê Rangel, doutora em psicologia espacial que enfrenta o luto da esposa falecida, personagem de Bianca Comparato. A relação com Lilit nasce justamente nesse contexto de dor e solidão. Para a atriz, a experiência exigiu explorar novas camadas da interpretação.
“O desafio foi trazer verdade só pela voz. Eu precisei estudar o papel da palavra, da entonação, e até usar movimentos físicos em estúdio para alcançar a emoção necessária. Isso me empurrou mais um degrau como profissional”, diz.
Ela acrescenta que o romance futurista cativou por ser, ao mesmo tempo, íntimo e universal. “É uma história sobre amor, mas também sobre solidão. A Maitê está em luto, e essa relação com Lilit surge desse vazio. É ficção científica, mas fala de algo muito real: o modo como nos conectamos, muitas vezes, através de máquinas. Eu achei lindo poder contar um amor entre mulheres sem estigmas, com naturalidade.”
“No Espaço Entre Nós” chega como aposta da Audible no mercado brasileiro. Como resume Baeta, “uma boa história é feita de sentimentos, e foi isso que eu quis entregar. Se o amor é a tecnologia mais avançada, nada mais justo que mostrarmos isso ao público.”