SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo Lula (PT) faz um evento nesta sexta-feira (29) para marcar a devolução de cerca de R$ 90 milhões a concessionários e permissionários que trabalham na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), na zona oeste da capital. O valor corresponde a cobranças irregulares de IPTU feitas durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

Uma auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União), publicada em julho, apontou que, na gestão do coronel Mello Araújo (PL) —atual vice-prefeito de Ricardo Nunes (MDB)—, de 2020 a 2022, a companhia havia obtido isenção do imposto, mas mesmo assim cobrou os valores dos permissionários.

A manobra gerou lucros artificiais à Ceagesp e resultou no pagamento de bônus indevidos a funcionários e dirigentes da empresa, segundo a CGU.

Naquele período, a Ceagesp tornou-se um reduto bolsonarista em São Paulo. A companhia abrigou atos de apoio ao então presidente, serviu de palco para manifestações contra o governo João Doria (sem partido) e se consolidou como espaço de articulação política da direita.

Os acordos para a devolução começaram em junho e seguem em andamento. Até agora, 1.415 permissionários firmaram termo para receber R$ 59 milhões, dos quais R$ 56 milhões já foram pagos, segundo a Ceagesp. No total, cerca de 3.000 pessoas e empresas que têm concessão ou permissão para trabalhar nos armazéns federais têm direito ao ressarcimento.

“A atual gestão da Ceagesp já devolveu R$ 55 milhões, uma mega-sena acumulada, em impostos cobrados indevidamente dos concessionários. A meta é chegar próximo aos R$ 90 milhões até o final do ano. Ou seja, em vez de usar esses valores para maquiar balanço e gerar bônus indevidos aos diretores, o dinheiro vai para seus verdadeiros donos”, disse o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), presente no evento.

A devolução dos recursos tem caráter político. Em São Paulo, o governo Lula trava embates com os aliados de Bolsonaro, como Nunes e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em temas como a retirada de moradores da favela do Moinho e a desapropriação do Teatro de Contêiner, no centro.

A devolução na Ceagesp é parte da estratégia petista de “desbolsonarizar” o entreposto. Locais que Mello Araújo pintado com as cores da bandeira nacional voltaram às cores originais na nova gestão.

A reportagem procurou o vice-prefeito Mello Araújo para tratar do assunto, mas ele não respondeu.

Na época que a auditoria da CGU foi divulgada, ele disse em nota que a Ceagesp tem auditorias interna e externa e que todos os atos de sua gestão passaram por esses órgãos.

Mello Araújo afirmou que “a Ceagesp tem auditoria interna e externa contratada e um Conselho da Administração que analisa e avalia tudo que é feito”. “Todos os atos da minha gestão passaram por todos esses órgãos, que são capacitados com auditores —e estes devem se manifestar”, segue o vice-prefeito.

“Nossa gestão foi transparente e todos os atos publicados no Diário Oficial da União. A atual gestão, até hoje, não tem sequer suas contas aprovadas e publicadas”, concluiu a nota .