A influenciadora digital e ex-BBB Vanessa Lopes, 24, revelou que quase perdeu a voz devido ao uso frequente de cigarros eletrônicos. Em um vídeo publicado no TikTok, onde possui mais de 32 milhões de seguidores, ela relatou sua experiência pessoal e fez um alerta aos jovens sobre os riscos do consumo dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), conhecidos popularmente como vapes. O caso ganhou repercussão e reacendeu o debate sobre os impactos do uso do produto, principalmente entre adolescentes e jovens adultos.

Vanessa contou que começou a fumar durante um intercâmbio no Canadá, em 2019, quando ainda era pouco popular no Brasil. Longe da família e cercada por pessoas que utilizavam o dispositivo, ela passou a enxergar o cigarro eletrônico como um símbolo de liberdade. Inicialmente restrito a momentos casuais e festas, o consumo acabou evoluindo para um vício. “No meio da aula eu tinha vontade de fumar. Quando ia ao banheiro, tinha vontade de fumar; depois de comer, tinha vontade de fumar”, relatou. Após iniciar sua carreira na internet, o hábito se intensificou, e as tentativas de parar não tiveram sucesso.

Segundo dados do Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Ipsos, 8,4% dos adolescentes entre 14 e 17 anos afirmaram ter usado cigarro eletrônico em 2024, índice superior ao de jovens que consomem cigarros tradicionais (1,7%) e também maior do que o de adultos que fumam vapes (5,4%).

Para Vanessa, um dos principais atrativos do cigarro eletrônico entre os jovens está na variedade de sabores e na facilidade de uso sem chamar atenção de familiares. Ela também apontou que há uma certa glamourização do dispositivo, especialmente pelo visual da fumaça e pela prática de compartilhamento entre amigos. Especialistas confirmam que essa estratégia de marketing é voltada para o público mais jovem. De acordo com o otorrinolaringologista Bruno Barros, professor da pós-graduação da Unifesp, “o cigarro eletrônico foi direcionado ao público jovem com essências que lembram a infância, como chiclete e frutas. Sem regulamentação, o líquido pode conter qualquer substância, e o consumidor não tem ideia do que está inalando”.

O uso constante trouxe para a influenciadora não apenas impactos emocionais, mas também consequências físicas. Vanessa relatou episódios de crises de asma, falta de condicionamento físico, rouquidão e até perda temporária da voz. Em 2022, após exames, descobriu um calo nas pregas vocais provocado pelo uso dos dispositivos. Foi então que recebeu o alerta de um médico fonoaudiólogo de que poderia perder sua voz de forma definitiva caso não interrompesse o consumo.

A situação serviu como ponto de virada para a influenciadora, que decidiu repensar hábitos e prioridades. “Eu percebi que estava priorizando coisas fúteis e passageiras em vez de coisas que eram essenciais para mim, minhas paixões”, afirmou. Vanessa diz que hoje busca conscientizar seus seguidores sobre os riscos associados ao cigarro eletrônico, destacando que a falta de regulamentação e a alta concentração de substâncias presentes nos líquidos podem gerar danos graves à saúde, especialmente no sistema respiratório e nas cordas vocais.