RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Uma das grandes promessas do judô brasileiro, Clarice Ribeiro se sagrou tricampeã do Mundial Cadete. O feito, já simbólico, se torna ainda mais emblemático pelo fato de a atleta ter passado por uma cirurgia no joelho direito há pouco mais de dois meses.

Clarice acusava dores no local e foi submetida a uma artroscopia no menisco. Após a recuperação, alcançou o topo do pódio nos Jogos Pan-Americanos Júnior, em Assunção, no início do mês, e agora no Mundial.

Aos 17 anos, Cice, como é carinhosamente chamada, tem 100% de aproveitamento até aqui no torneio, sendo campeã em todas as edições das quais participou. Antes do título na atual edição, ela já tinha colocado o ouro no peito em 2023 (- 44 kg) e em 2024 (- 48 kg).

Estou muito feliz porque foi meu terceiro ouro no Campeonato Mundial. Todos os Mundiais que eu lutei, cheguei na final e fui campeã. Gostaria de agradecer primeiramente a Deus, à Confederação Brasileira de Judô, ao meu clube, meus pais e todos que me apoiaram.Clarice, à CBJ

Em fevereiro, Clarice chamou a atenção ao levar a prata no Open Europeu de Varsóvia, primeiro torneio internacional na categoria sênior que disputou.

Nascida em Manaus, ela deu os primeiros passos no tatame em uma academia local, mas transitava em outras modalidades como futsal e atletismo. O rumo no judô foi decidido após um treino com Flávio Canto, bronze nas Olimpíadas de Atenas-2004. Atualmente ela é atleta do Minas Tênis Clube.

“Eu fazia escolinha de futebol em Manaus e participei de alguns campeonatos de futsal e futebol de campo. Pedi para trocar o judô por futebol, mas meus pais, inicialmente, não deixaram. Fiquei treinando os dois. No ano em que eu conheci o sensei Flávio Canto, treinei com ele e não quis mais sair, escolhi ficar no judô”, disse Clarice ao UOL, em maio.

Clarice é tutora de uma cadelinha chamada Latinha, com quem “compartilha” as medalhas que conquista e faz postagens nas redes sociais.

Latinha tem 10 anos e foi resgatada pela família de Clarice enquanto fugia dos seguranças do condomínio onde a judoca morava.

“Ela entrou no condomínio onde eu morava em Manaus, os guardas tentaram colocar ela para fora, mas ela ficava fugindo. Então, foi para a garagem da minha casa e ficou debaixo do carro. Eu e o papai colocamos ela pra dentro de casa e apelidamos ela de vira latinha. Depois, convencemos a mamãe a deixá-la ficar. Ela é muito importante pra mim. Foi a mamãe que teve a ideia de fotografar uma vez, depois começamos a fazer com todas as medalhas”, disse Clarice, ao UOL.