(UOL/FOLHAPRESS) – Fiji, um arquipélago com mais de 300 ilhas no sudoeste do Pacífico, vai receber nesta semana o grande evento do surfe mundial: o WSL Finals. É em Cloudbreak, uma das ondas mais temidas e desejadas do planeta, que será decidido o título da temporada.
Entre o passado marcado por tradições canibais, as ondas que já foram restritas e o presente que o consagrou como paraíso dos tubos, Fiji será o cenário de uma disputa que pode escrever mais um capítulo na história do surfe brasileiro.
JOIA ESCONDIDA
Cloudbreak começou a ganhar fama nos anos 1980, mas foi descoberta ainda na década anterior. Em 1978, o velejador americano John Ritter avistou a esquerda perfeita em Tavarua, e logo o californiano Dave Clark passou meses surfando a bancada.
Pouco depois, ele e Scott Funk fecharam um acordo de exclusividade com moradores locais e ergueram o Tavarua Island Resort, primeiro resort de luxo voltado ao surfe.
Durante décadas, só hóspedes podiam entrar em Cloudbreak até 2010, quando o governo revogou a concessão e liberou o acesso. A partir daí, a onda virou patrimônio global do surfe e abriu caminho também para talentos locais.
PASSADO SOMBRIO
Por séculos, as tribos de Fiji praticaram o canibalismo em rituais de guerra e punição.
O episódio mais famoso ocorreu em 1867, quando o missionário inglês Thomas Baker foi morto e devorado após cometer uma grave ofensa cultural tocar na cabeça de um chefe local, um tabu mortal na tradição da época.
nesta sexta-feira (29), mais de 150 anos depois, esse passado ainda ecoa na memória do país, mas já foi ressignificado. Em cerimônias recentes, descendentes pediram perdão à família do missionário.
ONDA DOS SONHOS
Cloudbreak é o coração do surfe em Fiji. O nome vem da expressão local “Nakuru Kuru Malagi”, que significa “Thundercloud Reef” uma definição certeira para a força dessa bancada de recife.
Segundo Kelly Slater, Cloudbreak é daquelas ondas que funcionam em qualquer tamanho: épica de meio metro a oito metros.
O habitual são séries perfeitas de 4 a 6 pés, mas, quando o reef ‘segura’ no limite, já mostrou ao mundo dias históricos como a famosa ondulação de 2012, que cancelou a etapa da WSL e virou palco de ondas gigantes surfadas apenas pelos big riders presentes.
BRASIL FAVORITO
O Brasil chega com dois protagonistas no WSL Finals Yago Dora, líder do ranking e grande favorito, e Italo Ferreira, campeão mundial em 2019 e sempre perigoso em ondas pesadas.
Entre a tradição e a modernidade, entre o perigo do recife e a beleza dos tubos, Cloudbreak vai coroar quem for capaz de enfrentar e dominar uma das ondas mais desafiadoras do planeta.
WSL FINALS 2025
Local: Cloudbreak, Fiji
Janela de competição: 27 de agosto a 4 de setembro
Onde assistir: SporTV e no site/app oficial da WSL