SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Brasília deve abrigar o campus sede da futura Universidade Indígena. A proposta foi aprovada nesta quinta-feira (28), na primeira reunião do grupo de trabalho instaurado pelo governo Lula (PT) para discutir a criação e a implementação da instituição, reivindicada há mais de 15 anos.

O encontro reuniu representantes de universidades federais, do MEC (Ministério da Educação), a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), o Ministério dos Povos Indígenas e lideranças de povos originários.

Um dos presentes foi Rozana Naves, reitora da UnB (Universidade de Brasília). Ela comentou que a Universidade Indígena é “um passo histórico para fortalecer os saberes ancestrais, valorizar a diversidade e consolidar um projeto de educação superior verdadeiramente plural, inclusivo e comprometido com a Justiça Social”.

A reivindicação pela universidade ocorre desde a primeira Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, realizada em 2009, mas que só avançou no governo, de fato, neste terceiro mandato do presidente Lula, quando a proposta foi levada à equipe de transição em 2022.

O MEC institui em maio deste ano um grupo de trabalho composto por representantes dos povos indígenas, do governo federal e de reitores das instituições de ensino superior, para criação e implementação da universidade indígena.

O projeto da universidade indígena prevê a sede administrativa em Brasília por questões geológicas e políticas, com campi distribuídos nas cinco regiões do Brasil.

Na grade curricular, o intuito é valorizar os 274 idiomas indígenas ainda falados, contra a imposição da obrigatoriedade das línguas oriundas da colonização como português, inglês e espanhol.

A instituição também pretende fomentar a ciência ancestral, responsável pelo melhoramento genético de plantas e frutos, e o papel dos povos indígenas no enfrentamento da crise climática por meio das atividades de preservação dos biomas naturais desenvolvidas nos territórios.