MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) – O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos contabilizou 880 pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) mortos de 15 a 26 de agosto no litoral sul de São Paulo.

Os corpos foram encontrados pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) no chamado trecho 7, que abrange os municípios de Iguape, Ilha Comprida e Cananéia.

Apenas um pinguim foi achado encalhado com vida nesse período de 12 dias. O animal está em processo de reabilitação.

À Folha de S.Paulo o IPeC explicou que a temporada de encalhes de pinguins ocorre anualmente de junho a dezembro, sendo julho e agosto os meses de maior concentração de registros.

Segundo o instituto, o total de encalhes varia a cada ano, mas a ocorrência de grandes números em um curto intervalo de tempo, como o registrado agora, é considerada rara na área monitorada.

A espécie se reproduz na Argentina, no Chile e nas ilhas Malvinas/Falklands e, ao fim desse ciclo, parte das aves migra para o norte em busca de águas mais quentes e maior disponibilidade de alimento.

O encalhe desses animais é mais frequente nas regiões sul e sudeste do Brasil, com maior incidência em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Devido ao estágio em que os corpos foram encontrados, não é possível chegar à causa exata das mortes, mas o instituto afirma que entre as hipóteses estão os efeitos da migração por longas distâncias, dificuldade em encontrar alimento, parasitoses, quadros infecciosos e a interação com a pesca.

O IPeC pede que a população comunique se encontrar algum animal marinho debilitado na região de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida. Os telefones indicados são (13) 3851-1779; 0800-642-3341; e (13) 99691-7851 (WhatsApp).

A organização adverte que, ao avistar um pinguim ou qualquer outro animal marinho encalhado, a população não deve tocá-lo nem oferecer comida, tampouco tentar devolvê-lo ao mar, já que esse tipo de iniciativa pode causar ainda mais estresse ou agravar o estado de saúde do animal.

A orientação é acionar imediatamente autoridades ou equipes técnicas responsáveis pelo atendimento.

Em julho, 43 pinguins-de-magalhães juvenis foram encontrados mortos no litoral norte, nos municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, segundo informações do Instituto Argonauta, responsável regional pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos.

No caso de julho, ao todo, foram 47 animais achados encalhados. Os 4 que estavam vivos passaram por atendimento veterinário e foram encaminhados para reabilitação em centros especializados.

“A presença de juvenis debilitados é esperada neste período de migração, e o trabalho das equipes em campo permite identificar rapidamente os casos e direcionar o atendimento adequado”, explicou à época uma das coordenadoras do Instituto Argonauta, Carla Beatriz Barbosa.

OS PINGUINS-DE-MAGALHÃES

As fêmeas dos pinguins-de-magalhães colocam dois ovos de outubro a novembro, sendo que a maioria deles se desenvolve de meados de novembro ao início de dezembro. Depois do nascimento, os pais revezam-se na alimentação dos filhotes durante três a quatro semanas.

Após um mês, os pais vão juntos em busca de alimentos, enquanto os filhotes são deixados sozinhos, começando a formação de grupos de filhotes próximos aos ninhos e sem a presença dos pais.

Os pinguins jovens vão para o mar com aproximadamente três meses de idade, permanecendo nele durante cinco anos e voltando para o continente apenas para fazer a troca de penas. Após esse grande período ao mar, eles voltam para suas colônias para iniciar seu ciclo reprodutivo.

Ainda que não seja considerada ameaçada de extinção, a população da espécie vem diminuindo. Entre os principais fatores de risco estão a poluição marinha, a sobrepesca e os efeitos das mudanças climáticas sobre suas rotas migratórias e áreas de alimentação.