WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comparecerá à Assembleia Geral da ONU, em setembro, na primeira vez em que o americano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estarão no mesmo lugar desde que o republicano passou a atacar o governo do Brasil.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (28) pela secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Segundo ela, Trump discursará no dia 23 de setembro, para quando está marcada a assembleia, em Nova York. O republicano chegará no dia anterior à cidade.

O discurso inaugural dos representantes dos países na reunião é feito pelo Brasil. Os Estados Unidos falam em seguida. Logo, os dois necessariamente se cruzarão quando um der lugar ao outro na tribuna da assembleia.

Será a primeira vez em que os dois líderes estarão no mesmo evento desde que Trump tomou posse e também depois que o presidente americano aplicou tarifas de 50% a produtos brasileiros, proibiu a entrada no país de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), e determinou sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes.

Lula e Trump se encontrariam pela primeira vez neste ano durante a cúpula do G7, realizada em maio, no Canadá. O presidente americano, porém, antecipou a volta dele para os Estados Unidos na ocasião para tratar de questões ligadas ao conflito entre Israel e Irã, e os líderes se desencontraram.

Não havia na ocasião nenhuma reunião bilateral marcada entre os dois, mas existia a expectativa de que pudesse haver algum tipo de conversa ou que Lula mandasse um recado mais duro diante das ameaças americanas a autoridades do Brasil.

Trump foi à Assembleia-Geral da ONU durante o seu primeiro mandato, discursando pela primeira vez na tribuna em 2017. Naquela ocasião, disse que poderia destruir a Coreia do Norte e lançou críticas ao Irã e à Venezuela.

Seu último discurso foi em 2020, durante a pandemia do coronavírus, quando culpou a China pela disseminação do patógeno. Naquele momento, ele estava em campanha pela reeleição, mas acabou derrotado pelo democrata Joe Biden.

A ida de Trump neste ano ocorre a despeito de uma série de ataques que o presidente americano e seus aliados têm feito contra as Nações Unidas, incluindo a redução de financiamento a diversos órgãos do sistema.