PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) – A população brasileira chegou a 213,4 milhões de habitantes em 1º de julho de 2025, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (28). O contingente representa uma alta de 0,39% ante 2024, quando era projetado em 212,6 milhões.

No ano passado, o aumento havia sido levemente superior, de 0,42%. A tendência, diz o IBGE, é de um crescimento cada vez menor, como já foi sinalizado em outras ocasiões pelo órgão.

O cenário ocorre em meio a mudanças demográficas no país, como a redução do número de filhos. Duas décadas antes, em 2005, o avanço anual era de 1,1%.

“Os resultados mostram uma desaceleração, o que já era indicado pelo Censo 2022 e pelas projeções da população, ambas pesquisas realizadas pelo IBGE”, disse em nota o gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do instituto, Marcio Minamiguchi.

Do total de 5.571 municípios no país, 2.079 (37,3%) apresentaram redução populacional em 2025. Apenas 2,2% (122) mostraram alta igual ou superior a 2%.

As estimativas incluem o novo município de Boa Esperança do Norte (MT), cuja população foi estimada em 5.877 pessoas.

A informação sobre o número de habitantes do Brasil em 2025 (213.421.037) já estava disponível desde agosto de 2024, quando o IBGE divulgou as estimativas anuais para o total de moradores até 2070. O instituto, contudo, detalha as estatísticas a cada ano, incluindo dados de cada cidade.

Os resultados servem de parâmetro para o TCU (Tribunal de Contas da União) no cálculo dos fundos de participação de estados e municípios. Também têm importância para a construção de indicadores sociais, econômicos e demográficos.

Segundo as projeções atualizadas pelo IBGE em 2024, o número de habitantes do Brasil deve crescer até o pico de 220,43 milhões em 2041 e, depois, tende a encolher.

O órgão espera que a redução comece em 2042 e se intensifique nas décadas seguintes, levando o contingente para menos de 200 milhões em 2070 (199,2 milhões).

15 MUNICÍPIOS TÊM MAIS DE 1 MILHÃO DE HABITANTES

Nesta quinta, o instituto afirmou que o Brasil tem 15 municípios com mais de 1 milhão de habitantes. Na outra ponta, aparecem quatro cidades com menos de mil moradores.

Dos 15 locais com mais de 1 milhão de pessoas, 13 são capitais. Essas cidades concentram 42,8 milhões de habitantes. É o equivalente a 20,1% do total da população no país (213,4 milhões).

São Paulo continua sendo o município mais populoso, com 11,9 milhões de moradores, seguido por Rio de Janeiro (6,7 milhões) e Brasília (3 milhões). O IBGE considera a capital federal como cidade nesse recorte.

Guarulhos e Campinas, ambos no estado de São Paulo, são os únicos municípios que não são capitais na lista com mais de 1 milhão de pessoas. A população foi estimada em 1,3 milhão e 1,2 milhão nas duas localidades.

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Cidades com mais de 1 milhão de habitantes em 2025

Número de moradores em 1º.jul

11.904.961 – São Paulo (SP)

6.730.729 – Rio de Janeiro (RJ)

2.996.899 – Brasília (DF)

2.578.483 – Fortaleza (CE)

2.564.204 – Salvador (BA)

2.415.872 – Belo Horizonte (MG)

2.303.732 – Manaus (AM)

1.830.795 – Curitiba (PR)

1.588.376 – Recife (PE)

1.503.256 – Goiânia (GO)

1.397.315 – Belém (PA)

1.388.794 – Porto Alegre (RS)

1.349.100 – Guarulhos (SP)

1.187.974 – Campinas (SP)

1.089.215 – São Luís (MA)

Fonte: IBGE

As quatro cidades com menos de mil habitantes são Serra da Saudade (MG), com 856, Anhanguera (GO), com 913, Borá (SP), com 932, e Araguainha (MT), com 997.

As estimativas populacionais diferem dos números do Censo Demográfico, cuja edição mais recente é relativa a 2022.

O recenseamento é uma pesquisa domiciliar, ou seja, que visita os lares brasileiros a cada década. Já as estimativas são atualizadas pelo instituto a partir do Censo e de informações de outras fontes a cada ano.

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Cidades com menos de mil habitantes em 2025

Número de pessoas em 1º.jul

856 – Serra da Saudade (MG)

913 – Anhanguera (GO)

932 – Borá (SP)

997 – Araguainha (MT)

BOA VISTA CRESCE MAIS COM MIGRAÇÃO VENEZUELANA

No recorte que considera apenas as capitais, o instituto destacou o caso de Boa Vista, que teve o maior crescimento relativo na passagem de 2024 para 2025.

A alta do número local de habitantes foi de 3,26%. O IBGE associou o cenário à migração em Roraima, marcada pela chegada de venezuelanos.

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Variação da população estimada nas capitais

De 2024 para 2025, em %

3,26 – Boa Vista (RR)

1,93 – Florianópolis (SC)

1,51 – Palmas (TO)

1,31 – Cuiabá (MT)

1,05 – Manaus (AM)

1,01 – João Pessoa (PB)

0,87 – Campo Grande (MS)

0,58 – Goiânia (GO)

0,55 – Porto Velho (RO)

0,51 – Macapá (AP)

0,47 – Brasília (DF)

0,34 – Teresina (PI)

0,33 – Aracaju (SE)

0,30 – Rio Branco (AC)

0,17 – Vitória (ES)

0,16 – Fortaleza (CE)

0,11 – São Luís (MA)

0,09 – Curitiba (PR)

0,08 – São Paulo (SP)

0,05 – Maceió (AL)

0,04 – Recife (PE)

0,01 – Rio de Janeiro (RJ)

-0,02 – Belo Horizonte (MG)

-0,04 – Porto Alegre (RS)

-0,09 – Belém (PA)

-0,14 – Natal (RN)

-0,18 – Salvador (BA)

Fonte: IBGE

As 27 capitais concentram 49,3 milhões de habitantes. É o equivalente a 23,1% do total no país.

A variação da população nas capitais com mais de 1 milhão de habitantes ficou abaixo de 1%, com exceção de Manaus. O município teve avanço de 1,05%.

Salvador (-0,18%), Natal (-0,14%), Belém (-0,09%), Porto Alegre (-0,04%) e Belo Horizonte (-0,02%) foram as cinco capitais com perda de habitantes ante 2024.

A partir desses dados, o IBGE disse que pela primeira vez as estimativas mostram, para “algumas capitais”, uma tendência de queda. O movimento de redução já havia sido identificado no Censo 2022.

“As capitais maiores, esses municípios mais centrais, em geral têm um entorno mais conurbado e perdem população para ele. O crescimento vai do centro para a periferia”, afirmou Minamiguchi.

“Entre as capitais que perderam população [nas estimativas], com exceção de Salvador, houve aumento de habitantes na respectiva região metropolitana”, completou.

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População estimada nas capitais em 2025

Número de habitantes em 1º.jul

11.904.961 – São Paulo (SP)

6.730.729 – Rio de Janeiro (RJ)

2.996.899 – Brasília (DF)

2.578.483 – Fortaleza (CE)

2.564.204 – Salvador (BA)

2.415.872 – Belo Horizonte (MG)

2.303.732 – Manaus (AM)

1.830.795 – Curitiba (PR)

1.588.376 – Recife (PE)

1.503.256 – Goiânia (GO)

1.397.315 – Belém (PA)

1.388.794 – Porto Alegre (RS)

1.089.215 – São Luís (MA)

994.952 – Maceió (AL)

962.883 – Campo Grande (MS)

905.692 – Teresina (PI)

897.633 – João Pessoa (PB)

784.249 – Natal (RN)

691.875 – Cuiabá (MT)

630.932 – Aracaju (SE)

587.486 – Florianópolis (SC)

517.709 – Porto Velho (RO)

489.676 – Macapá (AP)

485.477 – Boa Vista (RR)

389.001 – Rio Branco (AC)

343.378 – Vitória (ES)

328.499 – Palmas (TO)

Fonte: IBGE

Além do caso de Boa Vista, o IBGE também destacou as altas registradas por Florianópolis (1,93%), Palmas (1,51%) e Cuiabá (1,31%).

SP E RR SÃO EXTREMOS POPULACIONAIS

O estado de São Paulo segue como a unidade da Federação mais populosa. O número local de moradores foi estimado em 46,1 milhões neste ano.

É o equivalente a 21,6% da população total do Brasil. Isso significa que 1 em cada 5 habitantes vive no estado.

Roraima, por outro lado, tem a menor população do país: 738,8 mil. Há outros dois estados, também na região Norte, com menos de 1 milhão de moradores. São os casos de Amapá (806,5 mil) e Acre (884,4 mil).

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População estimada nas UFs em 2025

Número de habitantes em 1º.jul

46.081.801 – São Paulo

21.393.441 – Minas Gerais

17.223.547 – Rio de Janeiro

14.870.907 – Bahia

11.890.517 – Paraná

11.233.263 – Rio Grande do Sul

9.562.007 – Pernambuco

9.268.836 – Ceará

8.711.196 – Pará

8.187.029 – Santa Catarina

7.423.629 – Goiás

7.018.211 – Maranhão

4.321.616 – Amazonas

4.164.468 – Paraíba

4.126.854 – Espírito Santo

3.893.659 – Mato Grosso

3.455.236 – Rio Grande do Norte

3.384.547 – Piauí

3.220.848 – Alagoas

2.996.899 – Distrito Federal

2.924.631 – Mato Grosso do Sul

2.299.425 – Sergipe

1.751.950 – Rondônia

1.586.859 – Tocantins

884.372 – Acre

806.517 – Amapá

738.772 – Roraima

Fonte: IBGE