SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os sete aviões amarelos estacionados em uma área reservada do aeroporto estadual Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP), hoje são substituídos no ar pela concorrência. As grandes empresas aéreas nacionais assumiram a maioria das operações da Voepass, impedida de voar desde março passado.

A empresa, que teve seu (COA) Certificado de Operador Aéreo cassado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), era responsável pelo ATR 72-500 que caiu há um ano em Vinhedo (SP). O acidente, em 9 de agosto de 2024, matou 62 pessoas. Não houve sobreviventes.

A aeronave decolou às 11h58 com 58 passageiros e quatro tripulantes a bordo. O voo seguia de Cascavel (PR) para Guarulhos.

O desastre é o mais letal do Brasil desde 2007, quando um acidente com o voo 3504 da TAM nos arredores do aeroporto de Congonhas deixou 199 mortos, e um dos dez piores já registrados no Brasil.

Até então quarta maior aérea do país, a companhia atuava em voos comerciais, principalmente decolando para o interior do país, por causa de um acordo de codeshare (venda de bilhetes de uma companhia aérea em voos operados por outra)

As rotas foram assumidas pela concorrência com a suspensão e posterior cassação das atividades.

O aeroporto de Cascavel, por exemplo, de onde decolou o voo 2283, mantém três voos diários para Guarulhos, sendo dois operados pela Gol e um pela Latam.

A Transitar, empresa pública municipal que gerencia o aeroporto, afirma que um quarto voo para Guarulhos deve começar a operar em 31 de agosto.

O movimento de passageiros na cidade paranaense, inclusive, cresceu 10% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em Ribeirão Preto, base da Voepass, menos de um mês depois da suspensão da operação da empresa, em março passado, Latam e Gol assumiram os três voos diários para Congonhas, na zona sul de São Paulo, afirma a a concessionária Rede Voa, responsável pelo aeroporto. A rota para o Rio de Janeiro continua vaga.

“O número de passageiros atendidos permaneceu praticamente o mesmo”, afirma a concessionária.

Em Navegantes (SC) e Foz do Iguaçu (PR), voos operados pela Voepass para Congonhas foram absorvidos pela Azul, de acordo com a Motiva Aeroportos (antiga CCR).

Segundo a concessionária, em Joinville (SC), também sob sua gestão, a projeção aponta crescimento de 10% no fim do ano, graças à ampliação da oferta de voos da Latam (que passou de 44 para 56 aeroportos atendidos desde 2020) e pelo início de operação de duas rotas diárias pela Gol para Congonhas.

De acordo com a Anac, não há vinculação ou redistribuição de rotas no caso de fim de operações de uma empresa aérea, já que a criação desses voos é articulada entre companhia aérea e operadora aeroportuária, desde que a infraestrutura tenha capacidade para receber as operações.

“A obrigação das empresas aéreas é registrar as rotas estabelecidas no sistema da agência, onde são armazenadas as frequências previstas e concluídas no âmbito do tráfego aéreo em território brasileiro”, diz a Anac.

Somente naquele 9 de agosto de 2024, a Voepass fez 53 voos para 17 aeroportos, segundo registros na Anac.

A agência também retirou os 20 slots (espaços) da Voepass em Congonhas. Para o período de 26 de outubro a 28 de março, eles foram cedidos a outras companhias aéreas e podem se tornar definitivos no futuro. A Azul ficou com oito deles. Gol e Latam receberam seis cada.

Mas isso não significa que essas companhias vão manter os mesmos destinos que eram operados pela Voepass com suas novas posições no segundo aeroporto mais movimentado do país, onde esses slots valem ouro, conforme disse o executivo de uma empresa aérea à reportagem.

Nas 11 rotas domésticas em todo o país que a Latam planeja para este ano, uma delas é entre Congonhas e São Luís.

A companhia não cita seu planejamento para os novos slots. Mas na sua expansão em geral, inaugurou neste ano duas rotas então operados pela Voepass, a partir de Congonhas: Ribeirão Preto e Joinville.

No caso da Gol, com suas novas movimentações, a empresa planeja, com os novos slots, ligar Congonhas aos aeroportos de Maceió, Recife, Pelotas (RS) e do Galeão, no Rio de Janeiro.

Questionada sobre seu planejamento, a Azul não respondeu até a publicação deste texto.