SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A estrutura ampliada do terminal de embarque remoto —de onde passageiros são levados de ônibus até os aviões— no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, será inaugurada na próxima quarta-feira (6).

Inicialmente prevista para junho, a data de inauguração da nova estrutura foi confirmada pela Aena, concessionária de origem espanhola que administra o aeroporto da zona sul paulistana.

A sala de embarque remoto é a primeira obra da grande reformulação no aeroporto a ser concluída, entre as que impactam diretamente os passageiros.

O local vai mais que dobrar de tamanho. Passará de 1.400 m² de área para cerca de 3.000 m².

Com a obra, o objetivo é deixar os dez portões de embarque mais espaçados. Também cresceu a profundidade do terminal para dar mais espaço aos viajantes que esperam para irem aos ônibus.

A lotação na sala de embarque remoto no térreo, com passageiros espremidos, principalmente nos horários de pico da manhã, é um dos grandes gargalos de Congonhas.

A nova área, segundo a Aena, vai contar com mais estrutura de alimentação. Os dois cafés que ficavam próximos aos portões, por exemplo, estão sendo levados para os fundos do salão.

O entorno do local tem duas salas VIP (a maior delas terá 1.300 m² de área) e será construído um centro comercial de 850 m².

Apesar de praticamente nova, a estrutura ampliada é provisória. Ela acabará desativada no fim da reestruturação do aeroporto, pois a sala de embarque remoto definitiva será instalada no hangar tombado que pertenceu à Varig, usado por enquanto pela empresa aérea Gol, e que fica ao lado da futura área de embarque por meio de pontes (fingers) de acesso direto aos aviões.

A Aena, responsável pelo aeroporto, ainda não sabe qual será a destinação da área ampliada, mas cogita-se que toda a estrutura de embarque atual seja utilizada para voos internacionais —logo após a empresa assumir o comando do aeroporto em 2023, o diretor-presidente, Santiago Yus, afirmou à Folha que se houver interesse das companhias aéreas, Congonhas poderá ter rotas curtas para o exterior, como a países da América do Sul.

Ao custo de R$ 2,4 bilhões, a Aena, que assumiu a gestão de Congonhas em outubro de 2023, terá de reformular o aeroporto até junho de 2028.

A principal mudança será a construção de uma nova área de embarque, com 19 pontes de acesso direto aos aviões, contra as 12 de hoje. Entre outros motivos, a mudança ocorre para aumentar a distância entre as pistas de taxiamento e principal, que não atende as normas internacionais e deverá passar para 158 metros.

A reformulação no aeroporto está dividida em três etapas. A primeira inclui a demolição de estruturas, instalação de canteiros de obras, intervenções no pátio de aeronaves e melhorias nas pistas de taxiamento.

Na segunda, as companhias aéreas serão transferidas a hangares provisórios, dando início à construção do píer do novo terminal e às obras no hangar tombado.

Na terceira fase, ocorrerão as instalações das pontes de embarque no novo píer e o sistema de controle e processamento de bagagens. As etapas finais estão previstas para 2028.

Há várias frentes de trabalho em andamento na parte externa. Os hangares das empresas de aviação geral (executiva), que ficavam próximas à cabeceira 35 L, foram transferidos para próximos da pista auxiliar.

As estruturas estão sendo demolidas, pois darão lugar a três hangares de aviação comercial a serem destinados às companhias Azul, Gol e Latam.

Os hangares atuais usados por essas empresas darão lugar ao novo terminal de embarque, pátio para estacionamento de aeronaves e pista de taxiamento.

Três hangares provisórios, montados a partir de lonas e contêineres, serão utilizados durante o período de obras.

A atual área de check-in será desativada —também não se sabe o que será construído ali. Passageiros deverão chegar para o embarque onde hoje é a estrutura da Gol, que será desativada. O desembarque ficará próximo às escadarias espirais de acesso ao mezanino onde se embarca atualmente.

A meta da empresa é aumentar para 29 milhões o número anual de passageiros que embarcam ou desembarcam no local até o fim da concessão, em 2053 —no ano passado foram 23,1 milhões.

Com a reformulação nas pontes de embarque e com a ampliação da distância para a pista principal, Congonhas poderá receber aviões maiores e com mais capacidade, como o Airbus A321neo e o Boeing 737 Max 10. É assim que a empresa planeja turbinar a quantidade de pessoas que usam o aeroporto.

Atualmente, Congonhas está habilitado a realizar 44 operações de pousos e decolagens por hora. Não há previsão de ampliação do número.