SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A cidade de São Paulo tem demanda reprimida de pacientes aguardando cirurgia ortopédica e outras de alta complexidade, como as cardíacas. É o que diz o secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Zamarco, em entrevista à reportagem.

Zamarco, que comanda um orçamento de R$ 22 bilhões, também indicou que os recursos da pasta precisarão ser suplementados novamente este ano e atribuiu o problema das armadilhas convertidas em criadouros de mosquito da dengue a agentes que não estariam trabalhando direito.

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PERGUNTA – Quais foram os principais avanços nessa última gestão e o que ainda precisa melhorar?

LUIZ ZAMARCO – A gente fez uma ampliação muito grande nesses últimos quatro anos. Colocamos na cidade mais 21 UPAs (unidades de pronto-atendimento). Cada vez que eu abro uma UPA, eu coloco 30 leitos de urgência e emergência na cidade. São 30 pacientes que eu tiro dos corredores dos hospitais municipais.

Com o Avança Saúde 2, que a gente está aprovando no BID, vamos criar mais 1.500 leitos. [Hoje a cidade tem 4.736 leitos hospitalares].

Temos que avançar na melhoria das linhas de cuidado. A gente tem uma demanda reprimida de pacientes aguardando cirurgia ortopédica. [A gente tem que avançar] nas cirurgias de alta complexidade, como as cardíacas, a gente tem que avançar na oncologia.

P – O orçamento dos contratos de gestão deste ano é menor do que o que foi gasto no ano passado e vai haver mais 19 equipamentos de saúde funcionando em 2025. De onde virá o dinheiro para bancar o sistema?

LZ – Eu fiz um trabalho junto com a Fazenda mostrando quais são os impactos e eles fazem uma suplementação.

Nós já tivemos no ano passado que fazer uma suplementação de R$ 3 bilhões no nosso orçamento para fechar o ano. Por isso que eu brinco que o secretário da Fazenda foge de mim desde o começo do ano.

P – Mas o superávit de 2023 foi de R$ 3,3 bilhões, e o do ano passado foi menor, apenas R$ 1,1 bilhão. É com esse superávit que se faz a suplementação. De onde virá o dinheiro?

LZ – A Fazenda tem feito uma série de trabalhos para melhorar a arrecadação, para poder justamente fazer a suplementação para todas as secretarias, não só para a Saúde.

P – Uma reportagem recente da Folha de S.Paulo mostrou que as armadilhas da dengue estão virando criadouro de mosquito. Por que a prefeitura não está conseguindo fazer a manutenção adequada?

LZ – A gente fez uma mudança na Coordenadoria da Vigilância [em Saúde] e iniciamos uma reciclagem com os funcionários responsáveis pela manutenção das armadilhas.

P – Mas o senhor admite que o problema existe?

LZ – Não, não, não. O que foi passado para mim foi em algumas UVIs pontuais, o profissional deixou de fazer a manutenção no tempo que deveria ser.