SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) informou que o juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis apresentou todos os documentos necessários para se matricular na unidade, nos anos 1980, sob o nome Edward Albert Lancelot Dodd-Canterbury Caterham Wickfield.

Nesta semana, ele foi denunciado por suspeita de falsidade ideológica.

Mesmo que Reis seja condenado, a universidade acredita ser muito difícil a cassação do diploma concedido, pois o caso ocorreu há mais de quatro décadas, segundo apurou a reportagem.

Ex-colegas dele na USP, alguns dos quais são hoje docentes, relatam que nome de origem britânica era motivo de muito orgulho por parte do portador e alvo de chacota nos corredores do Largo São Francisco.

Segundo investigação do Ministério Público de São Paulo, José Eduardo Reis se apresentava como descendente de nobres ingleses e usou o nome Edward durante 23 anos de magistratura no Tribunal de Justiça do estado.

Ele teria criado uma carteira de identidade falsa em 1980, que só foi descoberta no ano passado, quando ele tentou obter a segunda via do documento numa unidade do Poupatempo na Sé, no centro da capital.

Reis prestou depoimento sobre o caso no dia 2 de dezembro na Delegacia de Combate a Crimes de Fraude Documental e Biometria, no centro.

No depoimento que prestou em dezembro, Reis declarou que Edward Wickfield é seu irmão gêmeo, que teria sido dado a outra família durante a infância. Disse também que só conheceu o irmão na década de 1980, após a morte de seu pai. Segundo ele, Wickfield era professor e retornou à Inglaterra após a aposentadoria.

Reis forneceu à polícia um endereço no bairro de West Kensington, em Londres, e um número de telefone para contato. Apresentando-se à autoridade como artesão, alegou que foi ao Poupatempo da Sé para renovar o RG a pedido do suposto irmão gêmeo.