SÃO PAULO

Investigação da PF do Paraná identifica pagamentos da concessionária Movebuss a firma de Patricia Soriano

(FOLHAPRESS) Em 04/04/2025 22h34

A SPTrans, empresa que administra o transporte público municipal em São Paulo, enviou uma carta para a concessionária Movebuss recomendando que suspenda imediatamente qualquer negociação comercial com a empresa Patricia Soriano Transportes 293 Eireli.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (4), a prefeitura informou que a medida ocorre por suspeita de repasses a parentes de criminosos. Patrícia é irmã do traficante Roberto Soriano, conhecido como Beto Tiriça, um dos principais líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), e viúva de Edmilson de Menezes, o Grilo, outro líder da organização criminosa, que morreu no ano passado.

“Após denúncias divulgadas por veículos de imprensa, a partir de uma delação na Operação Mafiusi da Polícia Federal, descobriu-se que a concessionária Movebuss realizava repasses suspeitos a parentes de lideranças do crime organizado, incluindo a empresa de Patrícia Soriano”, diz a nota da gestão Ricardo Nunes (MDB).

A Movebuss opera 41 linhas de ônibus na zona sudeste da cidade.

A Movebuss, que opera 41 linhas na região de São Mateus e Sapopemba, está sendo investigada por ligação com o PCC Reprodução/Movebuss A imagem mostra uma fila de ônibus verdes estacionados. Os ônibus têm janelas grandes e são modernos, com um símbolo de acessibilidade visível na parte frontal. O céu está nublado ao fundo. **** A Operação Mafiusi foi instaurada pela Polícia Federal do Paraná em 2024 para investigar as relações de membros do PCC com a Ndrangheta, grupo mafioso da Calábria, no sul da Itália. A organização criminosa é considerada a mais poderosa da Europa.

De acordo com as investigações da PF, que tiveram por base a delação premiada do empresário Marco José de Oliveira, Patrícia Soriano recebeu R$ 227.918,38 da Movebuss entre 2020 e 2022.

Segundo documento da PF, divulgado pelo Estado de S. Paulo, Grilo era sócio do tráfico internacional de drogas do empresário Willian Barile Agati, considerado o chefe do esquema pela PF, que o prendeu em janeiro.

No processo, a PF descreveu desta forma a relação de Patrícia com a Movebuss: “O que é notável é que os depósitos ocorrem de forma fragmentada, com dois depósitos no mesmo dia e seis depósitos por mês, ocorrendo mensalmente desde 2020 até o último depósito registrado em 10/10/2022”.

A PF informou no relatório que “Patrícia omite os valores em suas declarações de renda” e que “o padrão de vida da família é incompatível com a renda declarada”.

A Folha procurou a Movebuss por meio do telefone divulgado no site da SPTrans, mas ninguém atendeu. A reportagem também tentou falar com Patrícia Soriano, mas o telefone registrado de sua empresa é do seu escritório de contabilidade.

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