SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O comandante da GCM (Guarda Civil Metropolitana), Eliazer Rodella, foi afastado “imediatamente de suas funções”, segundo a Secretaria de Segurança Urbana de São Paulo, após a ex-mulher dele, Samara Rocha Bragantini, acusá-lo de violência doméstica e psicológica.
Em depoimento ao canal de YouTube Histórias de Divórcios e em entrevista à reportagem, ela afirma que foi agredida ao menos três vezes, sendo uma delas durante a gestação do segundo filho.
À reportagem a advogada confirmou a história, disse que conheceu o ex-marido na faculdade de direito e afirma que desde o início da relação, que começou em 2002, foi afastada da família quando foi viver com Rodella.
Rodella e a GCM foram procurados, mas não responderam até a publicação deste texto.
Em nota, a secretaria afirma que “em razão das acusações feitas contra o atual comandante da Guarda Civil Metropolitana, Eliazer Rodella que o mesmo será afastado imediatamente de suas funções”.
“Um processo na corregedoria será instaurado para apurar as denúncias e verificar seus fundamentos. Caso as acusações sejam comprovadas, o comandante será exonerado”, acrescenta.
Antes de engravidar, Samara afirma que foi vítima de agressões, como cotoveladas no rosto. Depois, durante o oitavo mês da gravidez, foi espancada pelo ex-marido e salva por uma vizinha, que ouviu a briga e chamou a polícia.
“Quando os policiais chegaram, ele ficou quietinho”, afirma ela. A filha de Eliazer, Gabrielle Moranggo, hoje com 30 anos, estava presente no momento da briga e lembra que viu o pai agredindo a madrasta. À reportagem ela diz que se recorda do dia e afirma que, aos 12 anos, pedia para que o pai parasse com as agressões.
“Ele pegou ela pelo braço, bateu no rosto dela, foi bem complicado. Criança nenhuma tem que passar por isso”, diz ela, que conta também se recordar de quando o pai agrediu a mãe. “Lembro de ter acordado no meio da noite com barulho de chinelada e minha mãe pedindo para ele parar e ele dizia para ela ficar quieta. Depois disso, eu não lembro mais de muita coisa.”
Nenhuma das agressões foram registradas em boletins de ocorrência, e Samara também não moveu processo contra o ex-marido.
“Eu tinha muito medo”, diz Samara, que lembra que os filhos eram pequenos na época e tinham problemas de saúde, e ela não tinha forças para terminar o relacionamento. “A carga era muito pesada.”
O divórcio aconteceu em 2019, após Samara fugir do ex-marido, e ela afirma que hoje também não pensa em processá-lo. “Não tinha condições psicológicas. Até você entender tudo o que aconteceu. A violência psicológica é a pior”, afirma.
A advogada afirma que decidiu contar sua história para ajudar outras mulheres vítimas de violência doméstica, mas não imaginou a repercussão do caso. “Não adianta você falar não. Não é tão simples assim”, afirma ela.
A decisão de sair do relacionamento não foi fácil e a advogada lembra que sofreu. “Tive abstinência quando eu larguei dele, estava agressiva, é muito difícil”, diz ela, que afirma que conseguiu fazer terapia para se reerguer.
COMANDANTE DA GCM
O ex-comandante Eliazer Rodella, 56, ingressou em 1988 na Guarda Civil Metropolitana. Dez anos depois, passou a ser inspetor de agrupamento e, em 2016, foi promovido ao cargo de inspetor superintendente.
Ele é formado em direito e mestre em cidades inteligentes e sustentáveis pela Uninove. No dia 16 de janeiro foi empossado como comandante da guarda. Durante a posse, Rodella elogiou a gestão de Nunes e disse que o emedebista fez muito pela guarda.
“Nós não vamos descansar e vamos fazer o nosso melhor trabalho para essa cidade. Nós juramos aqui há 37 anos que daríamos a nossa vida se necessário fosse por essa população e assim nós temos feito até hoje”, disse ele no evento de posse.