CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), fizeram uma agenda conjunta nesta sexta-feira (4) em um sinal de reaproximação atrelada às eleições de 2026.
O ex-mandatário chegou ao estado por volta das 10h30 foi recebido por apoiadores no saguão do aeroporto e, na saída, chegou a vestir um boné em que se lia “Trump” e seguiu direto para o Centro Cívico em Curitiba, onde almoçou com Ratinho Junior e aliados no Palácio Iguaçu, sede do governo estadual.
O encontro durou mais de três horas e, de acordo com convidados, a pauta foi sobre “anistia e estarmos juntos em 2026”, nas palavras de integrantes do PL e do PSD.
Depois, Bolsonaro e Ratinho seguiram de avião a Londrina, onde participaram da abertura da tradicional ExpoLondrina, uma das maiores feiras do país voltadas ao agronegócio.
Bolsonaro discursou no evento em Londrina e, ao final, citou a participação de Ratinho Junior na manifestação de domingo (6), em São Paulo, em defesa da anistia aos denunciados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A manifestação também é a forma encontrada por bolsonaristas de manter o capital político do ex-presidente em meio ao trâmite do processo no STF (Supremo Tribunal Federal) no qual é acusado de tentar um golpe de Estado para impedir a posse do presidente Lula (PT), vitorioso nas urnas.
No seu discurso na ExpoLondrina, Bolsonaro repetiu que se sente injustiçado “eles querem me tirar da cédula eleitoral no ano que vem” e se voltou para a plateia, ligada ao agro.
“No meu governo, o MST não fez nada. As raras invasões eram resolvidas em poucas horas. Entregamos 420 mil títulos para os assentados, para todo o Brasil. Não demarquei nenhuma terra indígena, não demarquei nenhuma terra quilombola. Enquanto eu fui presidente, levamos paz ao campo, respeitamos o produtor”, disse ele.
“O meu sonho é explorar isso que buscamos lá fora em território nacional. Temos tudo isso aqui, mas, com a política completamente errada, não podemos nada fazer em terras indígenas”, continuou ele.
Na sequência, em tom de campanha eleitoral, voltou a pedir apoio para congressistas alinhados a estas pautas: “Se vocês nos derem 70% da Câmara e 70% do Senado, nós faremos coisas que, uma vez votadas pelo Parlamento, serão postas em prática”.
Também em discurso na ExpoLondrina, Ratinho Junior fez elogios ao ex-mandatário. “Quero cumprimentar de forma muito especial o nosso presidente Bolsonaro, que nos dá a alegria de vir na maior feira agropecuária do país. Presidente Bolsonaro em exercício foi o presidente que mais veio ao Paraná na história. É uma demonstração do carinho, do amor que ele tem pelo nosso estado”, afirmou o governador.
De olho na presidência da República em 2026, Ratinho Junior também disse que construiu “uma relação de amizade e de respeito” com o ex-presidente. “Foi o presidente que investiu no Paraná”, discursou ele.
Após a cerimônia de abertura da ExpoLondrina, Bolsonaro falou com a imprensa no local, mas não deu detalhes sobre a conversa com Ratinho Junior horas antes, no palácio.
Segundo ele, a conversa girou em torno das alianças locais. Bolsonaro se refere à união do PL com o PSD para as pré-candidaturas ao Senado e ao governo do Paraná.
Pelo acordo que está sendo costurado, o deputado federal Filipe Barros (PL) seria um dos dois nomes da possível aliança do grupo para a disputa ao Senado. O outro nome deve ser um indicado pelo Ratinho Junior ou o próprio governador, na hipótese de ele desistir da corrida ao Planalto.
“O resto a gente vê depois”, disse o ex-presidente aos jornalistas.
No almoço, a comitiva do ex-presidente se reuniu com mais de dez deputados federais e estaduais do PL. O vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (PL), ex-deputado federal e ex-candidato ao Senado em 2022, também estava presente.
Do grupo do PSD de Ratinho Junior, estavam o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, cotado para disputar o governo em 2026.
Outros nomes do PSD estão na lista de possíveis candidatos ao governo estadual e Ratinho Junior já acomodou parte deles em seu secretariado, como Guto Silva, que ficou com a pasta das Cidades, e Rafael Greca, que terminou seu mandato na prefeitura de Curitiba no ano passado e assumiu a secretaria estadual do Desenvolvimento Sustentável.
O nome que for escolhido dentro do grupo do PSD deve disputar as urnas com o senador Sergio Moro (União Brasil), já que o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro de Bolsonaro já deixou clara sua intenção em concorrer no ano que vem.