SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A atriz Donatella Magno disse ter sido alvo de transfobia após ser acusada de furto em uma unidade da Drogaria São Paulo localizada no Sacomã, na zona sul de São Paulo, na última terça-feira.
Donatella relatou que o episódio aconteceu por volta das 16h30 quando ela entrou na unidade e foi até a sessão de produtos em promoção à procura de um protetor solar. Ao UOL, ela explicou que procurou o produto em uma das gôndolas da unidade, passou menos de dois minutos no local e saiu em seguida após não encontrar o que procurava.
Em seguida, ela foi comer em uma lanchonete que fica a cerca de 200 metros da farmácia, quando foi surpreendida por um funcionário da Drogaria São Paulo, que pediu para revistar sua bolsa. “Estava pedindo salgados quando um rapaz me abordou em tom de intimidação, me constrangendo na frente de várias pessoas que estavam na lanchonete”, disse ela
Donatella ressaltou ter sido tratada no masculino pelo atendente da drogaria e afirma ter ficado sem reação. “Ele já chegou se dirigindo a mim no gênero masculino, pediu para revistar minha bolsa porque uma pessoa tinha mandado ele me seguir pra ver minha bolsa. Eu fiquei sem reação, pensei que fosse um assalto, porque não tinha reparado no uniforme dele”.
A atriz contou que entrou em uma “breve discussão” com o atendente da farmácia, pontuou que estava sendo constrangida e mostrou sua bolsa, mas nenhum produto da drogaria foi encontrado. “Mostrei minha bolsa para ele, falei: ‘tá aqui, não peguei nada meu querido, entrei para ver um produto, não achei e vim embora comer’. Abri a bolsa e ele falou ‘tudo bem, foi mal’, e foi embora”.
Donatella destacou que em momento algum foi tratada no feminino. “Falei que era errado e era constrangedor ele me abordar dessa forma fora da unidade. “A abordagem certa seria ele chegar, pedir licença, dá boa tarde, perguntar o meu nome. Se acaso ele ficasse com dúvida em relação a minha identidade de gênero, ele perguntaria meu pronome, mas não aconteceu nada disso”.
Depois de ter sua bolsa revista, ela voltou até a unidade da Drogaria São Paulo e pediu para falar com o gerente, mas ele teria se recusado a informar o próprio nome e o atendente que revistou sua bolsa teria se escondido. “Eu me sentindo super mal porque várias pessoas começaram a olhar, fiquei super constrangida, peguei meus salgados, sai da lanchonete com ódio, voltei lá na drogaria e pedi satisfação com o gerente. Foram vários erros cometidos”.
“A transfobia é porque usou pronomes masculinos comigo, além do constrangimento pela vergonha que ele me fez passar na lanchonete na frente de várias pessoas. Eles ficaram nervosos com minha atitude, falei que queria ir para delegacia, o gerente falou que seu nome era só Luan, o cara que me abordou na lanchonete se escondeu nos fundos da unidade”, disse Donatella Magno.
Em nota a UOL, a Drogaria São Paulo informou que “tomou conhecimento do episódio ocorrido em uma de suas unidades” e disse estar “realizando apuração rigorosa e prioritária para que o caso seja conduzido com a devida seriedade”. “É importante ressaltar que a rede não compactua com qualquer forma de discriminação e reafirma seu compromisso com o respeito, a inclusão e a diversidade. A empresa segue comprometida com a manutenção de políticas e práticas que constroem ambientes seguros e respeitosos”.
Donatella Magno disse que registrou boletim de ocorrência online por transfobia. UOL entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para questionar se a Polícia Civil está investigando o ocorrido e aguarda retorno. Em caso de resposta, esta matéria será atualizada.