Walison Veríssimo

Durante o lançamento da pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) à Presidência da República, nesta sexta-feira (4), em Salvador, o vice-presidente nacional da sigla, ACM Neto, admitiu que o partido ainda está longe de uma posição unificada. De acordo com ele, a presença de alas com pensamentos distintos sobre o projeto presidencial de Caiado é uma realidade, mas não representa ruptura e sim parte de um processo político em construção.

“O governador deu hoje o primeiro passo de um projeto que ainda será discutido. O União Brasil tem diferentes correntes, e isso é natural num partido que não tem dono. Aqui não existe imposição de cima pra baixo”, afirmou Neto durante entrevista coletiva.

A ausência do presidente nacional do partido, Antônio Rueda, no evento, foi tratada com naturalidade pelo ex-prefeito de Salvador. Segundo ele, trata-se de uma manifestação do próprio momento interno da sigla, que ainda debate rumos para 2026. “Não há crise, há reconhecimento de que é cedo para fechar questão. Vamos dialogar, abrir espaço para todos e, na hora certa, o partido vai se alinhar em torno do que a maioria decidir”, disse.

Sobre as articulações de uma federação entre União Brasil e Progressistas (PP), ACM Neto afirmou que o assunto será retomado em Brasília, após o evento de Salvador, e negou qualquer conflito direto com a pré-campanha de Caiado. “Uma coisa não anula a outra. A federação é um processo possível, e a pré-candidatura também. Se avançarem, será com diálogo e com a participação do próprio governador.”

Responsável por idealizar a fusão entre DEM e PSL, que originou o União Brasil, Neto defendeu novamente a agregação partidária como caminho para a governabilidade e o fortalecimento institucional. “Sou defensor desse modelo desde o início. Mas tudo precisa passar por uma convenção nacional, como manda o estatuto. E isso será feito com transparência e responsabilidade”, afirmou.

Em tom de conciliação, ACM Neto reiterou seu apoio ao governador goiano, mas deixou claro que a pré-candidatura ainda precisa amadurecer internamente. “Não estamos lançando uma candidatura definitiva. Estamos iniciando um debate. E esse debate precisa ouvir o partido inteiro.”