Walison Veríssimo
Com um discurso que misturou ataque ao PT, reconhecimento à liderança de Jair Bolsonaro e recados diretos à própria direção do União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), lançou oficialmente nesta sexta-feira (4), em Salvador (BA), sua pré-candidatura à Presidência da República. O evento marcou o início de uma campanha que tenta consolidar o nome do goiano como alternativa da direita tradicional, longe da polarização direta entre Lula e Bolsonaro, mas dialogando com o eleitorado conservador.
Ao lado de aliados como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, vice-presidente nacional do partido, Caiado recebeu o Título de Cidadão Baiano e a Comenda 2 de Julho. Mas o tom do dia foi menos festivo e mais político. O governador deixou claro que não será “candidato de bolso de colete nem de barra de saia”, em alusão aos bastidores partidários que ainda resistem à sua candidatura. “É candidato quem tiver coragem, proposta e independência moral e intelectual”, afirmou, defendendo a realização de prévias no União Brasil.
Caiado também comentou a ausência do presidente nacional da legenda, Antônio Rueda, no evento, e voltou a criticar a gestão petista. “O Lula é o único ativo que o PT tem. E ao colocá-lo pra falar, vai a um percentual altíssimo de desaprovação. O PT na gestão pública é um zero à esquerda. E o União Brasil tem os melhores gestores do país”, disse.
Apesar de buscar um projeto político próprio, Caiado evitou o confronto direto com o ex-presidente Jair Bolsonaro e reconheceu seu papel na reorganização da direita. “Ninguém nega sua liderança e seu prestígio. Ele tem mérito por ter reerguido a direita conservadora”, declarou.
Nos bastidores, o lançamento teve clima de movimento inaugural, mas também de alerta. A possível federação entre União Brasil e PP, a participação do partido no governo Lula e a falta de consenso interno são desafios reais à consolidação da candidatura. Mesmo assim, ACM Neto garantiu que o partido chegará unido “no momento certo”.
Com o slogan “Coragem para endireitar o Brasil”, Caiado estreia no páreo presidencial tentando equilibrar firmeza retórica com discurso de gestão — mirando eleitores que querem um governo de direita, mas sem radicalismo.