SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A USP (Universidade de São Paulo) discute acabar com algumas licenciaturas da faculdade de letras. Os alvos seriam linguística, grego e latim.
O assunto é analisado em congregações da instituição desde o início do ano. A justificativa é que as áreas têm pouca inserção no mercado de trabalho e nem sequer são ofertadas no ensino básico.
Procurada, a direção da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) disse ainda não haver nada decidido para que possa se manifestar oficialmente.
O possível corte de licenciaturas preocupa estudantes. “Se o argumento é as licenciaturas serem inválidas por não terem utilidade no ensino básico, isso faz com que qualquer uma possa deixar de existir, restando apenas o português e, quiçá, o inglês”, diz Stéfani Casarin, aluna da licenciatura em grego.
Hoje, a faculdade de letras oferece licenciaturas em português, latim, grego, alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, russo, árabe, armênio, chinês, hebraico, japonês, linguística e coreano.
A graduação dos beletristas começa com um ano básico, introdutório, destinado a fornecer elementos para a compreensão do funcionamento da linguagem humana e subsídios para as disciplinas que serão cursadas posteriormente. Depois o aluno faz a opção pela área em que deseja se habilitar.
O aluno tem a possibilidade de uma habilitação simples (duração ideal de oito semestres) ou dupla (duração ideal de dez semestres) em português e uma língua estrangeira, ou em português e linguística.
“Há um contexto geral de atualização das licenciaturas em todo país. O debate na USP está inserido nesse contexto”, diz Mandi Coelho, liderança do Caell, o centro acadêmico do curso de letras.
Ela diz concordar com a necessidade de atualização curricular. “Porém, defendemos mais cursos, mais alunos, mais professores e não qualquer exclusão”, segue.