SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O empresário Maurício Quadrado desistiu de comprar o Banco Digimais, antigo Banco Renner, controlado pela BA Empreendimentos e Participações de Edir Macedo. A desistência foi em comum acordo entre as partes e comunicada ao Banco Central em 25 de março.

Quadrado afirmou abdicar do negócio devido à deterioração do mercado, em um cenário de juros e inflação em alta.

Neste contexto, o Digimais fica pressionado, com um passivo de R$ 8 bilhões e um patrimônio líquido de R$ 698,8 milhões, segundo o último balanço divulgado.

Quadrado era sócio do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e vendeu sua fatia na instituição em 2023 para montar o seu próprio banco, o BlueBank, que inclui uma corretora, uma gestora e o banco Letsbank, em processo de aprovação pelo regulador.

No Digimais, o empresário iria injetar R$ 800 milhões, quase dobrando o patrimônio líquido da instituição ao fim de 2024.

A fintech tem cerca de 100 mil clientes e R$ 9,1 bilhões de ativos com operações concentradas em crédito consignado e financiamento de veículos.

QUEM É MAURÍCIO QUADRADO

Maurício Quadrado foi diretor de mercado de capitais no banco Bradesco, onde foi responsável pelos IPOs (oferta pública inicial, na sigla em inglês) de empresas brasileiras que abriram capital na Bolsa à época, segundo consta no LinkedIn do executivo.

Ele foi coordenador-líder da primeira empresa do país a ter suas ações listadas na Bolsa de Nova York por meio de ADRs (recibos de ações), a Aracruz Papel e Celulose.

Quadrado também integrou o grupo que liderou diversas privatizações durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com destaque para a desestatização da Vale.

Depois do Bradesco, durante 13 anos, de 2007 a 2020, esteve à frente da corretora Planner, sendo acionista e diretor de Investment Banking, área que faz operações financeiras para investidores institucionais ou clientes com uma alta quantia em dinheiro para gerir.

Em 2021, Quadrado entrou como sócio no Banco Master, onde se tornou o diretor do Banco Master de Investimentos. Nesse período, ele liderou operações relevantes de fusões e aquisições e privatizações.