BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Após ser cobrado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o BTG Pactual comunicou ao mercado que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do banco Master.
Vinculada ao Ministério da Fazenda, a CVM tem a função de regular e fiscalizar o mercado de ações, debêntures, cotas de fundo de investimentos e contratos futuros, entre outros ativos negociados no mercado de capitais brasileiro.
Em ofício encaminhado, na quarta-feira (2), ao diretor de Relações com Investidores do BTG Pactual, Renato Hermann Cohn, a CVM pede que o banco esclareça de maneira objetiva se pode entrar na transação de compra do BTG.
O banco do empresário Daniel Vorcaro foi adquirido pelo BRB (Banco de Brasília) na sexta-feira (28), mas os seus ativos considerados ilíquidos (de maior risco), como precatórios, não fizeram parte do negócio.
O ofício da CVM cita trechos de reportagem da Folha de S.Paulo, publicada na terça-feira (1º). O texto informa que o BTG Pactual pode entrar na transação de venda de ativos do banco Master, e as negociações envolvem a carteira de precatórios (títulos públicos judiciais) da instituição.
A reportagem afirma que uma pessoa que participa das conversas diz que todas as alternativas estão na mesa de discussão com o Banco Central, incluindo a entrada do BTG no negócio, e os membros da autoridade monetária estão alinhados na análise sobre o tema.
De acordo com relato feito à Folha de S.Paulo, o chairman e sócio sênior do BTG, André Esteves, vinha negociando com Vorcaro uma proposta que envolvia o uso do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para cobrir problemas de lastro que pudessem aparecer nas operações de risco do Master e o pagamento de cerca de R$ 3 bilhões pela carteira de precatórios. Procurado pela reportagem, o BTG não respondeu o pedido de informação.
A CVM questionou por que o banco de André Esteves não entendeu ser necessário divulgar um fato relevante sobre o tema e sobre outras informações consideradas importantes em relação ao Master. No ofício, o órgão regulador não elenca quais seriam essas outras informações.
No comunicado, o BTG informa que monitora de forma contínua oportunidades de consolidação no mercado financeiro que possam gerar valor para seus acionistas e que tenham o suporte dos reguladores. E esclarece, ainda, que transações de natureza semelhante à mencionada na referida notícia integram o curso ordinário de suas atividades, sendo coordenadas rotineiramente por suas equipes especializadas.
“Cumpre informar que o BTG Pactual nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do Banco Master. Por essa razão, o BTG Pactual entende que não houve motivo que configurasse fato relevante, nos termos da regulamentação vigente”, diz o diretor no texto.
Desde o fim de semana, a operação do BRB com o Master tem sido alvo de várias informações desencontradas que alimentaram movimentações de alta e depois de queda das ações do BRB.
A reportagem questionou a CVM, nesta quinta-feira (3), se poderá abrir um processo por conta da movimentação e também quais seriam os procedimentos a serem tomados a partir de agora de investigação após o comunicado do BTG.
André Esteves, foi o primeiro a ser recebido pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na manhã de segunda-feira (31), após a confirmação da operação na noite da sexta-feira.
A agenda foi alterada para incluir Esteves e o encontro constou como o primeiro compromisso de Galípolo, às 9h da manhã. Uma reunião com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, ocorreu mais tarde, às 17h30. Vorcaro foi recebido no dia seguinte, às 11h.
O BRB não vê problemas de o BTG adquirir os ativos do Master que não fizeram parte do arranjo societário, como os precatórios, que é um dos nichos de mercado do banco de Esteves.