BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência, Sidônio Palmeira, afirmou que a queda de popularidade do governo Lula (PT) não se deve apenas a problemas de comunicação e que evento realizado nesta quinta-feira (2) serviu para divulgar as realizações dos dois anos de mandato.
“Não tem nada de eu me isentar de popularidade. Eu acho que impopularidade tem responsabilidade de todos os ministros, todas as áreas, área política, gestão, comunicação, todo mundo. E isso não tem absolutamente nenhum problema”, disse.
A fala ocorreu após o evento “Brasil Dando a Volta por Cima”, organizado pelo governo para divulgar as realizações da gestão petista e fazer uma comparação com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ato, organizado num auditório em Brasília, fora do Palácio do Planalto, teve ares de campanha. Vídeos sobre as ações do governo foram intercalados com falas de duas apresentadoras e entrevistas com três brasileiros beneficiados por programas sociais, como Fies e Farmácia Popular.
Questionado sobre o tom de campanha do evento, Sidônio desviou e disse que a cerimônia teve o papel de informar a população e não reverter nenhum cenário de popularidade.
“Acho que é uma leitura errada. Porque o principal objetivo do evento é divulgar as ações”, declarou. “Se tem alguma coisa de errado nisso, de campanha… Eu como ministro não penso nisso, penso é no governo.”
“Esse evento não tem nada a ver com popularidade do presidente, é uma prestação de contas do governo federal. O papel nosso e meu como ministro da Secom é demonstrar e mostrar quais são as ações do governo, informar o que esse governo fez”, disse.
No evento, Lula discursou e fez comparações com o governo Bolsonaro, sem citar o antecessor.
“A sensação que tive [ao voltar] foi a de uma pessoa que volta para casa depois de muito tempo e, ao invés da casa, só encontra ruínas. A mesma sensação de um trabalhador rural que volta ao campo para plantar e só encontra terra arrasada. Depois de dois anos de trabalho, organizamos a casa”, declarou.
Pelo menos oito câmeras gravaram o evento e a fala do presidente, que também reagiu ao tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o Brasil “respeita todos os países, do mais pobre ao mais rico, mas que exige reciprocidade” e que tomará “todas as medidas cabíveis”.
O evento ocorreu em meio à queda de popularidade do presidente, que despencou desde a virada do ano e ainda não teve a recuperação esperada pelo PT e pelo governo.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) mostrou que a avaliação negativa do governo aumentou de 37% em janeiro para 41% agora. As opiniões positivas recuaram de 31% para 27%. Outros 29% veem a administração como regular, e 3% disseram que não sabem ou não quiseram responder.
O chefe da Secom defendeu a realização do evento como uma forma de divulgar o que o governo tem feito e negou que o objetivo tenha sido recuperar a popularidade de Lula. “É uma prestação de contas”, afirmou.
Diante de críticas à dificuldade de recuperação da popularidade, Sidônio declarou ainda à imprensa que “está” ministro para demonstrar as ações do governo e informar à população como utilizar os programas governamentais. “Se todo mundo tiver bem informado, eu acho que eu estou cumprindo meu trabalho”, disse.