SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A NASA encontrou em Marte os maiores compostos orgânicos já detectados até hoje. O estudo foi publicado no último dia 25 de março na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).
Pesquisadores analisaram amostra de rocha coletada pelo robô Curiosity na cratera Gale. O material estudado pode indicar que o planeta teve condições químicas favoráveis à vida no passado.
Foram identificadas três moléculas: decano, undecano e dodecano. Elas fazem parte da família dos ácidos graxos, substâncias presentes nas células de organismos vivos da Terra.
Descoberta representa progresso na reação química que contribui para surgimento da vida. Embora não sejam uma prova de vida no ‘planeta vermelho’, essas moléculas são mais complexas do que outras já encontradas em Marte e indicam um avanço na chamada química prébiótica, que antecede a formação da vida.
“Nosso estudo prova que, mesmo hoje, ao analisar amostras de Marte, poderíamos detectar assinaturas químicas de vida passada, se é que alguma vez existiu em Marte”, disse Caroline Freissinet, autora do estudo, cientista do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica de Guyancourt, França.
MOLÉCULAS ACHADAS POR ACASO
A amostra analisada foi retirada em 2013 de uma região chamada Yellowknife Bay. Há bilhões de anos esse local já foi o fundo de um lago. A análise ocorreu dentro do mini-laboratório a bordo do Curiosity, chamado SAM (Sample Analysis at Mars).
Estudo em amostra de rocha sedimentar perfurada chamada “Cumberland” pode comprovar a existência de um antigo lago em Marte. “Há evidências de que água líquida existiu na Cratera Gale por milhões de anos e provavelmente por muito mais tempo, o que significa que houve tempo suficiente para que a química formadora de vida acontecesse nesses ambientes de lagos de cratera em Marte”, disse Daniel Glavin, cientista sênior de retorno de amostras no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, e coautor do estudo.
Simulação em laboratório comprovou hipóteses. Inicialmente, os cientistas buscavam aminoácidos (blocos de construção das proteínas), mas acabaram encontrando essas cadeias maiores de carbono durante o experimento. Para confirmar sua origem, os pesquisadores simularam as condições em laboratório e concluíram que os compostos detectados são provavelmente fragmentos de ácidos graxos maiores, que podem ou não ter origem biológica.
Processos não biológicos normalmente produzem moléculas menores (com menos de 12 carbonos). As encontradas em Marte têm 10, 11 e 12, por isso os cientistas acreditam que podem haver outras ainda maiores. No entanto, os instrumentos disponíveis até o momento não conseguem detectá-las com precisão.