SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou prender Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, após ele fugir para a Argentina. Ele é réu no STF por envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro e está com o passaporte retido, proibido de deixar o país. Sua defesa afirmou que pretende recorrer da decisão.

QUEM É LEO ÍNDIO

É primo de três dos filhos de Jair Bolsonaro. Leonardo é sobrinho de Rogéria Nantes Braga, primeira esposa e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, filhos mais velhos do ex-presidente. Ele é mais próximo de Carlos, com quem já dividiu uma casa. Sua ligação de parentesco com o ex-presidente é mais distante.

Morador do Rio, Léo se mudou para Brasília em 2019 após a posse de Bolsonaro. Nos primeiros 45 dias de mandato, ele visitou o Planalto, em média, uma vez por dia e até viajou na comitiva presidencial a Brumadinho (MG) à época do rompimento da barragem na cidade.

Carlos Bolsonaro tentou cargos no Planalto para o primo. No livro “Tormenta”, a jornalista Thaís Oyama narra que isso aconteceu em ao menos duas ocasiões: no governo de transição do pai, Carlos quis que Léo -que não é policial- chefiasse uma equipe de três policiais federais para fazer a segurança do então presidente e procurar “”infiltrados esquerdistas” no Planalto. Já no início do mandato de Bolsonaro, Carlos tentou um cargo com salário de R$ 13 mil para o primo na Secretaria de Governo, mas o general Santos Cruz, então titular da pasta, não aceitou contratá-lo.

Nas redes sociais, ele fazia postagens -por vezes, falsas- contra o presidente Lula e o PT. Em tom de deboche, ele expôs uma mensagem que o Instagram exibia, questionando se a pessoa tinha certeza se queria segui-lo, exatamente por divulgar tais informações.

Em abril de 2019, Léo Índio foi nomeado assessor do senador Chico Rodrigues (DEM-RR). Ele tinha salário bruto de R$ 22.943,73.

Ele permaneceu no cargo até outubro de 2020. Na ocasião, Rodrigues foi flagrado pela PF com R$ 30 mil na cueca durante investigação sobre desvios de dinheiro da Saúde durante a pandemia. Léo foi orientado a pedir exoneração e permanecer em silêncio para que sua imagem não fosse ainda mais atrelada ao escândalo, como apurou o UOL na ocasião.

Em dezembro de 2021, Léo ocupou um cargo de auxiliar administrativo júnior na liderança do PL no Senado. Ele tinha salário de R$ 5.735,93 e foi exonerado do cargo em seis meses, após o UOL revelar que ele era funcionário fantasma.

Em 2022, tentou um mandato na Câmara Distrital do DF, mas com 1.801 votos, não se elegeu. Na ocasião, ele foi às urnas como Léo Índio Bolsonaro. A então primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou na ocasião que seu irmão Eduardo Torres era o “nosso único” candidato ao cargo e chamou os demais de “alpinistas” que queriam subir na vida usando o sobrenome da família.

Em 2024, tentou cargo como vereador de Cascavel, no interior do Paraná. Pelo PP, ele declarou um patrimônio de R$ 5 mil em espécie. Mesmo usando o nome “Leo Bolsonaro” teve apenas 739 votos e não conseguiu a cadeira.

RACHADINHA NA ALERJ

Em março de 2021, o UOL revelou que Mariana Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do RJ), pagou o aluguel de uma quitinete no centro do Rio, onde Léo morava. Foram cinco pagamentos em torno de R$ 400 e R$ 500 ao longo de 2007.

Léo Índio também teve seu sigilo bancário quebrado no âmbito da investigação do caso da “rachadinha”. Entre os anos de 2006 e 2012, ele foi registrado como assessor de Flávio. De 2007 em diante, quando a quebra foi autorizada, o primo de Flávio recebeu R$ 427 mil líquidos da Alerj. Como outros funcionários investigados, Léo Índio também mantinha o padrão de sacar grandes quantias em dinheiro vivo. Nesse período, sacou mais de R$ 400 mil.