SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Procuradoria-Geral de Justiça, órgão de cúpula do Ministério Público de São Paulo, arquivou um procedimento preliminar que investigava denúncia de recebimento de propina contra o deputado estadual Delegado Olim (PP) e os delegados Fabio Pinheiro Lopes e Murilo Fonseca Roque. Os três, assim como um advogado, foram citados na delação premiada de Antônio Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro do ano passado na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Gritzbach era réu por lavagem de dinheiro e o principal suspeito de encomendar a morte de Anselmo Becheli Santa Fausta, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) morto a tiros em dezembro de 2021. Ele admitia ter participado de um esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa mas negava envolvimento no assassinato.
Na delação, Gritzbach afirmou que havia pagado um total de R$ 5 milhões ao deputado e aos dois delegados para que intermediassem o relaxamento de punições judiciais contra ele, como “restituição do passaporte, desbloqueio dos bens e liberdade durante todos os processos”. Gritzbach afirmou ainda que parte do dinheiro, R$ 800 mil, foi pago como comissão ao advogado Ramsés Benjamin Samuel Gonçalves por supostamente intermediar o pagamento de propina.
O procurador de Justiça Sérgio Turra Sobrane, responsável pela análise desse trecho da delação de Gritzbach, afirmou que não há informação suficiente para instaurar uma investigação criminal sobre a denúncia. Sobrane escreveu numa representação à Justiça que “o colaborador não apresentou nenhuma comprovação do pagamento desses valores e de seus beneficiários”.
Gritzbach afirmou que o pagamento foi realizado com o repasse da propriedade de dois apartamentos, além de uma transferência bancária de R$ 300 mil e uma parte em espécie. A transferência dos imóveis para o advogado foi comprovada, mas a conexão com os outros delatados não.
Além disso, o procurador considerou que os pagamentos podem ter sido realizados para remunerar o trabalho do advogado como defensor de Gritzbach. Ramsés defendeu o delator em três processos diferentes na Justiça e, segundo Sobrane, “o próprio colaborar afirmou ter realizado o pagamento de honorários advocatícios”.
O delegado Pinheiro, conhecido como Fabio Caipira, era titular do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) até dezembro do ano passado, quando foi afastado após trechos da delação premiada serem noticiados. Roque era titular do 24º DP (Ponte Rasa).
Essa é a primeira vez que o Ministério Público estadual arquiva parte das investigações que tiveram início com a delação de Gritzbach.
No mês passado, a Justiça aceitou a denúncia e tornou réus seis homens suspeitos de envolvimento no assassinato de Gritzbach. Três policiais militares que estão presos estão entre os acusados. Os demais investigados, sendo dois mandantes e um comparsa que atuou como olheiro no local do crime, estão foragidos.
A partir da investigação do assassinato e da delação, o MPSP também denunciou um grupo de 12 pessoas sob acusação de lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública, como peculato e corrupção passiva, que se conectam com Gritzbach. Entre os acusados estão policiais civis e empresários que estariam ligados ao PCC em esquemas de lavagem de dinheiro, segundo os promotores.
Além disso, a delação também serviu de base para uma investigação que resultou na denúncia contra duas empresas do ramo financeiro suspeitas de servirem para lavagem de dinheiro da organização criminosa.