SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Eric Adams, prefeito de Nova York pelo Partido Democrata, disse nesta quinta-feira (3) que concorrerá à reeleição como independente e não participará da primária da legenda em junho. Ele tem índices de aprovação historicamente baixos e enfrenta uma crescente reação negativa devido a sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Sempre coloquei o povo de Nova York acima da política e dos partidos, e sempre o farei”, disse Adams, que foi eleito como democrata, em um vídeo postado na rede X. “Vou abrir mão da primária democrata para prefeito e me dirigir diretamente a todos os nova-iorquinos como candidato independente.”
O anúncio ocorre um dia após o juiz federal Dale Ho arquivar as acusações de corrupção contra o prefeito, a pedido do Departamento de Justiça (DOJ) de Trump. A solicitação feita pelo DOJ em fevereiro ocorreu sob a argumentação de que o processo atrapalhava a colaboração do prefeito no reforço das deportações dentro da política de repressão à imigração ilegal.
O pedido levou à renúncia de oito procuradores federais, que expressaram preocupações de que o governo estivesse rompendo com normas estabelecidas ao permitir a influência de considerações políticas nas decisões judiciais.
Adams, 64, foi indiciado em 2024 por cinco acusações criminais, incluindo suborno e fraude por receber doações ilegais para sua campanha de 2021 e aceitar presentes luxuosos em troca de favores a empresários e autoridades turcas.
Nesta quarta-feira (2), o juiz federal retirou as acusações, mas afirmou que o pedido “cheira a um acordo” entre o governo Trump e Adams. Ele determinou que o caso fosse arquivado de forma que não possa ser reaberto pelo governo mesmo se Adams não colaborar com as deportações.
A decisão do prefeito de concorrer de forma independente na eleição de novembro representa um grande desafio, já que a cidade de Nova York tem um eleitorado majoritariamente democrata, com uma proporção de 6 para 1 em relação aos republicanos.
Isso significa que ele não participará da disputada primária democrata de junho, que conta com nove candidatos, incluindo o ex-governador de Nova York Andrew Cuomo.
Cuomo, que renunciou em 2021 devido a uma série de acusações de assédio sexual que ele nega, tem boa aceitação nas pesquisas.
Adams começou a atacar Cuomo de forma mais agressiva, e é provável que um deles vá disputar a eleição geral possivelmente contra Curtis Sliwa, fundador dos Guardian Angels e favorito a candidato republicano. Jim Walden, advogado e ex-promotor, também planeja concorrer como independente.