BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), tomou posse de forma oficial nesta quinta-feira (3) na Câmara Municipal da capital mineira.
Vice-prefeito eleito na chapa de Fuad Noman (PSD), ele havia assumido a prefeitura de forma interina no dia 4 de janeiro, após o afastamento de Fuad, que morreu na semana passada em decorrência do tratamento de um câncer.
A cerimônia nesta quinta encerrou o período de oito dias de luto na cidade pelo falecimento do então prefeito.
Em seu discurso de posse, Damião disse que essa não era a circunstância em que desejava assumir o cargo e afirmou que está dividido entre a missão e a saudade.
“Fuad foi para mim mais do que um gestor, foi um amigo, um mentor. Ele deixa um legado muito grande, com os pés no chão e o coração em Belo Horizonte. Prometo, Fuad, que o senhor jamais vai se decepcionar por ter me escolhido para estar junto do senhor”, disse Damião, emocionado.
Ele afirmou que seu primeiro ato como prefeito será encaminhar à Câmara um projeto de lei para nomear a praça da Independência, na avenida Afonso Pena, em homenagem a Fuad, com uma estátua de bronze do ex-prefeito no local.
Damião aproveitou o discurso para elogiar o papel dos vereadores, em uma tentativa de distensionar sua relação com o Legislativo.
“A política precisa resgatar sua razão de ser, o diálogo entre todos e todas. Falar e ouvir são as únicas maneiras para tomar as decisões mais sensatas”, disse.
No início do ano, Damião sofreu uma derrota no Legislativo ao apoiar uma chapa derrotada na eleição para a Mesa Diretora na Câmara.
Na época, o novo presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), classificou a interferência de Damião no pleito como “desastrosa”.
Nesta quinta, o chefe do Legislativo evitou o embate com a gestão municipal e disse que a Câmara será parceira da prefeitura.
“Iremos trabalhar de forma harmônica e independente. Qual o problema de um vereador querer melhorar um projeto do Executivo que chega à Casa? Isso é democracia”, disse Lopes.
Nos últimos dias, Damião passou a dar a cara de sua gestão nos bastidores ao iniciar a troca de secretários próximos a Fuad.
É o caso dos chefes das pastas de Direitos Humanos, Josué Valadão, e de Segurança e Prevenção, Genilson Zeferino. O chefe de gabinete de Fuad, Daniel da Cunha Messias Roque, também deixou o cargo. Novas trocas são esperadas para os próximos dias.
Questionado sobre as movimentações, Damião disse que algumas delas foram comentadas com Fuad na transição.
“Aqueles que vão sair da prefeitura saem de cabeça erguida porque fizeram o trabalho deles. Não tem essa ideia de que é da confiança, não é da confiança, ou que o Damião tá colocando a cara nele. Não, a gente vai mudar pontualmente algumas secretarias em Belo Horizonte, não tem reforma administrativa”, disse o prefeito.
Apesar das mudanças, o discurso do prefeito é de que sua gestão será de continuidade ao de seu antecessor, com o cumprimento das promessas feitas por Fuad na campanha. Ele colocou entre as prioridades da gestão políticas voltadas às creches e à população em vilas e favelas.
Nesta quinta, o secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi afastado do cargo pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em operação da Polícia Federal que apura desvios de recursos públicos e fraude em licitação quando ele era chefe da pasta em Salvador, entre 2017 e 2020.
Questionado, Damião disse que não o secretário terá que responder pelos seus atos. “Ninguém vai passar a mão na cabeça de qualquer secretário em Belo Horizonte”.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), esteve presente na posse e disse acreditar que Damião irá dar continuidade ao trabalho de seu antecessor.