SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Canadá e o México, criticados frequentemente pelo presidente norte-americano Donald Trump, escaparam da lista de países afetados pelo “tarifaço” global sobre impostos de importação anunciados na quarta-feira (2) pelo republicano.

Os dois países não constam na lista divulgada pela Casa Branca ontem. Mais de 180 países e territórios, além da União Europeia, foram afetados pelo tarifaço com taxas que variam entre 10% e 50%. O republicano também divulgou que a partir de hoje entra em vigor a tarifa de 25% sobre todos os carros importados que chegarem ao país. Antes, a taxa era de 2,5%. Já autopeças serão taxadas a partir de 3 de maio.

No anúncio, Trump não citou Canadá e México. Porém, segundo o CBC e a Reuters, o decreto assinado pelo presidente indica que os vizinhos não estão sujeitos às novas tarifas porque já estão cobertos por taxas de até 25% sobre muitos produtos, impostas anteriormente pelos EUA. O aço e o alumínio do Canadá, maior parceiro comercial dos EUA, já sofrem com a taxação de 25%, e o país ainda não sabe como as taxas aplicadas ao setor automobilístico vão afetá-lo.

Após o anúncio do republicano, o primeiro-ministro do Canadá disse vai retaliar os EUA. Mark Carney falou que lutará com “propósito e força” para proteger trabalhadores e empresas locais, mas não detalhou quais ações tomará, segundo o CBC. Sem responder perguntas da imprensa, ele ainda acrescentou que as medidas do país vizinho “mudarão fundamentalmente o sistema de comércio internacional”.

Apesar da fala, Carney acrescentou que o anúncio de Trump “preservou uma série de elementos importantes da relação comercial entre os dois países”. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, não se manifestou nas redes sociais sobre o tarifaço americano. EUA, Canadá e México têm um acordo de Livre-Comércio da América do Norte, antigo Nafta.

Canadá já havia anunciado tarifa de 25% sobre produtos americanos; México deve seguir o mesmo caminho -o que pode prejudicar exportadores americanos. Ontem, o governo mexicano disse preparar um “plano abrangente” para fortalecer sua economia em resposta às tarifas alfandegárias de Trump. O México é um dos países mais vulneráveis às tarifas de Trump, já que envia mais de 80% de suas exportações aos EUA, seu principal parceiro comercial.

Trump anunciou um “tarifaço global” sobre impostos de importação, com os produtos brasileiros sendo taxados em ao menos 10%. A data foi nomeada pelo republicano como o “Dia de Libertação”.

A nova política comercial adota a regra da reciprocidade entre os países. Para isso, portanto, se baseia na taxação dos produtos americanos no exterior. A meta é a de começar a corrigir o déficit de US$ 1,2 trilhão que o país soma com o resto do mundo.

A Casa Branca diz que taxação corresponde à metade de porcentagem adotada por outros países. Por exemplo, o Japão coloca impostos de 46% em média contra bens americanos. A partir de agora, os americanos colocarão impostos de 24% sobre os bens japoneses. A lógica será usada com as demais nações.

O piso, no entanto, é de 10%. Essa é a tarifa aplicada ao Brasil, por exemplo. Segundo as contas da Casa Branca, a médias das tarifas brasileiras aos EUA é também de 10%- o que significaria uma taxa 5%, caso não houvesse o piso.

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Veja alguns dos países taxados por Trump:

Alemanha – 10%

Arábia Saudita – 10%

Argentina – 10%

Austrália – 10%

Bolívia – 10%

Brasil – 10%

China – 34%

Colômbia – 10%

Equador – 10%

El Salvador – 10%

Egito – 10%

Emirados Árabes Unidos – 10%

Índia – 26%

Israel – 17%

Japão – 24%

Noruega – 15%

Nova Zelândia – 10%

Peru – 10%

Reino Unido – 10%

Sérvia – 37%

Suíça – 31%

Turquia – 10%

Ucrânia – 10%

União Europeia – 20%

Uruguai – 10%

Venezuela – 15%

Vietnã – 46%

Republicano definiu o decreto como histórico e afirmou que o tarifaço é uma ação recíproca em relação aos outros países, que ele diz estarem roubando os EUA. “Agora é a nossa vez de ficarmos prósperos. A nossa dívida será paga e tudo isso ocorrerá de forma muito rápida”, disse, acrescentando que irá fazer os “EUA ricos novamente”.

“Agora não é tarde demais. Nós começaremos a ser mais espertos, inteligentes, e voltaremos a ser ricos. Porque tanto da nossa riqueza foi tirada de nós e não podemos deixar isso acontecer. Nós podemos ser tão ricos, mais que qualquer outro país. Mas precisamos ficar espertos porque os EUA não podem ficar com tarifas unilaterais, nessa rendição econômica”, disse Donald Trump ao anunciar as tarifas.

Trump ainda declarou que suas tarifas recíprocas são “gentis” e poderiam ter sido muito mais altas. Ele chamou as taxas de “tarifas recíprocas descontadas”. Após o anúncio, o presidente estadunidense assinou duas ordens executivas que contribuem para consolidar as novas políticas tarifárias.