SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse nesta quarta-feira (2) que sua gestão estuda a demolição do elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão, para a extensão da Marquês de São Vicente até a zona leste da cidade. A opção de fazer um túnel no local foi descartada devido ao alto custo.
A Marquês de São Vicente começa perto do viaduto Pacaembu, na região da Barra Funda, e vai até a Lapa. Segundo a Nunes, a extensão da via poderia desafogar o trânsito.
“Se a gente vai desativar o Minhocão com demolição ou fazer ali um High Line [parque suspenso], a gente ainda não sabe. Precisamos discutir com a sociedade, é um tema muito polêmico”, afirmou durante evento de inauguração do Centro TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), no bairro de Santana, zona norte.
“A gente já havia encomendado um projeto para a construção de um túnel [para viabilizar o parque], mas, quando os estudos chegaram, vimos que era inviável devido ao custo. Agora, a proposta de extensão da Marquês de São Vicente já está bem trabalhada, pronta para encaminhamento, com desapropriações -que não são tantas-, permitindo a criação de mais essa via na cidade.”
O elevado João Goulart tem 3,4 km de extensão e está instalado entre a praça Roosevelt, no centro de São Paulo, e os bairros de Perdizes e Barra Funda. A ideia de desativá-lo até 2029 foi proposta no Plano Diretor da capital de 2014. Sancionado pelo então prefeito Fernando Haddad (PT), ele traça os rumos do crescimento da capital por 16 anos.
No programa de metas lançado nesta terça-feira (1º) pela prefeitura, o objetivo é fazer um corredor de 6,9 quilômetros da avenida Sérgio Tomás, no centro, até a Salim Farah Maluf, na zona leste, o que viabilizaria a desativação posterior do Minhocão.
O elevado Presidente João Goulart, antes chamado de Costa e Silva, foi construído na gestão de Paulo Maluf e inaugurado em 1971, durante a ditadura militar. Desde 2015, passou a ser fechado aos sábados à tarde e, em 2018, durante todo o dia. Hoje, fecha para carros às 20h e abre para lazer até as 22h.
Os paulistanos se dividem quando o assunto é o futuro do Minhocão. No fim de 2020, uma pesquisa Datafolha mostrou que 54% achavam que ele deveria ser mantido como está.
Já 30% da população da cidade defendia que o elevado se transformasse em um parque. Outros 7% queriam que a estrutura fosse completamente demolida. O restante disse não saber qual o melhor destino.