SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A atriz Halle Berry afirmou acreditar que a sua vitória histórica como melhor atriz, pelo filme “A Última Ceia”, no Oscar de 2002, não passou de uma exceção na trajetória do prêmio da Academia. Dentro de quase um século de existência da premiação, ela foi a única artista negra a vencer a categoria.

Em 2025, a protagonista da adaptação do musical “Wicked”, Cynthia Erivo, se tornou a primeira atriz negra a ser indicada ao troféu mais de uma vez. Ela já havia sido indicada ao prêmio por seu papel em “Harriet”, longa por qual concorreu em 2020.

No total, apenas 15 mulheres negras estiveram entre as indicadas ao prêmio. Em um trecho do recente documentário da Apple TV+, “Number One on the Call Sheet”, dedicada a entrevistar grandes artistas negros de Hollywood, Berry questionou o impacto que sua vitória teve duas décadas atrás.

“Isso importou? Realmente mudou algo para as mulheres negras? Para minhas irmãs? Para a nossa jornada?”, diz ela na produção, lançada em duas partes no streaming da Apple.

Ela cita o ano de 2021 como um momento que lhe trouxe uma centelha de esperança, quando as atrizes Viola Davis e Andra Day foram indicadas à categoria. No entanto, nenhuma das duas conquistou a estatueta.

“O sistema não foi realmente feito para nós, então precisamos parar de cobiçar algo que não é para nós. Porque, no fim das contas, o que importa é: ‘Como tocamos a vida das pessoas?’ e, fundamentalmente, é para isso que a arte serve”, diz ela no documentário.

A produção da AppleTv+ registra ainda a indignação de nomes como Whoopi Goldberg, que também se manifestou contra o baixo índice de indicações e vitórias de artistas negras. ” “Espera aí, nenhuma de nós foi boa o suficiente? Nenhuma? Entre todas essas pessoas, ninguém?, diz ela, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme “Ghost – Do Outro Lado da Vida”.